
Não havia tempo ruim para Silvana Tormes dos Santos. Bem-humorada, estava sempre disposta a curtir os bons momentos com a família em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado. Antes de chegar à fronteira, a gaúcha de Carazinho andou por outras cidades paranaenses, tais como São Pedro do Iguaçu, Medianeira, São Miguel do Iguaçu e Toledo.
O motivo de tantas mudanças era o pai, João, encarregado de obras de calçamento e que vivia arrumando novas empreitadas para sustentar a família. Silvana já tinha três filhos – Diehver, Rosilene e Graciela – quando conheceu o atual marido, Luís Carlos. O encontro ocorreu no posto de combustíveis em que trabalhava, em 1991. Ela era frentista; ele, caminhoneiro, profissão que segue até hoje. Como fruto dessa união, nasceu Jhener.
As conquistas dos filhos, independente do tamanho, sempre eram motivo de orgulho e água nos olhos para Silvana. Foi assim com as conquistas dos primeiros empregos, os primeiros automóveis e o diploma na faculdade. E esse amor entre eles era recíproco. Em um Dia das Mães, os filhos armaram uma surpresa com direito a mensagem ao vivo – transmitida por meio do som do carro da filha Graciela –, orquídeas e muitos presentes. “Os olhos dela encheram de lágrimas”, conta Graciela.
Além do coração, há três anos o caçula Jhener carregava o amor pela mãe na pele. A tatuagem no braço traz o nome de Silvana com a data de nascimento dela. Quisera o destino que a arte fosse atualizada agora com a data de falecimento: 12/07/2015. “Ela sempre foi mãe e pai a vida toda”, afirmou o filho.
Silvana tinha uma vida simples. Era conselheira dos mais próximos e tratava as noras e genros como filhos. Quando a família se reunia, gostava de preparar uma boa macarronada, ir ao pesque-pague ou à prainha artificial do Lago de Itaipu, localizada justamente em Três Lagoas, bairro onde morou na maior parte de sua vida.
Apesar de morar tão perto, não chegou a conhecer as Cataratas do Iguaçu. “O pessoal sempre comentava e ela tinha esse desejo. Tentamos levá-la algumas vezes, mas, por diversos motivos, nunca deu certo”, conta Graciela. Outro sonho que tinha era o de reformar a casa.
Nos fins de semana, ela não dispensava um bom bailão e era conhecida por sua personalidade forte e a lábia para vender roupas – que o marido trazia das viagens – e cosméticos em sua própria casa. Estava feliz com o recente emprego como doméstica – ou “secretária do lar” – como ela mesma costumava falar aos amigos. Silvana gostava de acompanhar as novelas os noticiários nos momentos de folga.
A gaúcha começou a sentir fortes dores na região da barriga há cerca de dois meses e elas logo se intensificaram. Após alguns exames, foram diagnosticados tumores no útero e no ovário, que segundo os médicos começaram no pulmão. A consulta ao médico não havia sido realizada até então por receio; há 24 anos ela perdeu a mãe, Lourdes, em decorrência de um câncer no útero. “Tivemos que levá-la “à força”. Ela tinha esse medo”, explica a filha.
Evangélica fiel, nunca perdeu a esperança de viver, mesmo em meio às fortes dores que sentia na região da barriga. Vaidosa, até os últimos momentos não deixou de cuidar de sua aparência. Mesmo internada, gostava de passar batom e dar um trato no cabelo. Partiu em 12 de julho. Deixa o marido, Luís Carlos, quatro filhos, cinco netos e nove irmãos.







