
Por 70 anos, Síria Chede Correa de Castro frequentou a sociedade curitibana e encantava com sua docilidade e bondade. Dedicou-se com afinco ao trabalho filantrópico em creches, asilos e hospitais. Foi uma das mulheres paranaenses que conseguiu chegar aos cem anos. E com muito orgulho, pontua o filho Carlos Fernando. Em uma reportagem veiculada pela RPC, a centenária destacou que “Deus dá força para você fazer o bem. Eu consegui fazer”. Era detentora da comenda da Ordem Estadual do Pinheiro, recebida em 2014, considerada a mais alta honraria do Paraná.
A filha de imigrantes libaneses nasceu em Palmeira. Estudou música na juventude. Foi em clubes do interior que iniciou o trabalho social. Ainda nos Campos Gerais, conheceu o jovem Emmanuel Bittencourt Correa de Castro e casou-se com o funcionário do Banco do Brasil. Em 1944, ela e o marido mudaram-se para a capital. Emmanuel era o homem “número 2” da instituição financeira– uma espécie de superintendente –, segundo o filho.
Foi nesse período que Síria passou a integrar o trabalho das senhoras do Sindicato dos Clubes Esportivos, de Cultura Física e Hípicos do Estado do Paraná (SindiClubes-PR). Atuou como diretora do Clube Sírio Libanês do Paraná, participou do Clube Soroptimista, da Sociedade das Senhoras Libanesas do Paraná e da Irmandade Ortodoxa.
Em momentos de calamidade pública, era a primeira a se mobilizar para angariar doações para as famílias vítimas de enchentes. O filho conta que a casa da família, na Avenida Visconde de Guarapuava, ficava repleta de caixas com mantimentos e roupas. Também recolhia cobertores e toalhas para abastecer os hospitais locais. Ela presidiu por cerca de 54 anos o departamento feminino do SindiClubes-PR. O sindicato organizava mensalmente eventos beneficentes com a renda destinada às entidades filantrópicas, como a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Pequeno Príncipe e o Asilo São Vicente de Paula.
Para Marilei Piazza, a amiga era muito especial. Os segredos da longevidade eram sempre se manter bem-humorada, receber muito amor e carinho e pensar em ajudar o próximo. “Essa era a fórmula de Síria”. A amizade delas já durava 30 anos, desde a época em que Marilei era secretária do SindiClubes.
Para o único filho, a mãe tinha “certa dose” de vaidade. Em tempos passados, foi eleita em várias ocasiões uma das dez mulheres mais elegantes do Paraná por revistas que circulavam no estado. Não era de luxos, mas gostava de estar sempre arrumada e frequentar bons costureiros. Carlos tem guardado um diário com fotos e notícias desse período áureo.
Quando o marido morreu, em 1983, o movimento da casa na Visconde de Guarapuava diminuiu. Era comum o espaço estar cheio de muitos amigos, políticos e pessoas influentes no cenário curitibano. Ela ficou mais reclusa, mas até os cem anos participava das atividades que mais lhe davam prazer. “Servir, servir, servir é a coisa mais preciosa que temos”, disse à reportagem de televisão.
Para o filho Carlos, a mãe foi ficando mais fraca após o aniversários de 101 anos. “O processo foi como uma plantinha. A cada dia uma folhinha caía; até que acabou”. Deixa o filho Carlos Fernando e a nora Mara Elisa, uma neta e dois bisnetos.







