
Ensinar com dedicação o aluno em sala de aula não bastava para a professora Sueli Maria Cozer Bloot, uma catarinense de Pinhalzinho, radicada em Cascavel, no Oeste paranaense. Ela fazia questão de visitá-lo em casa, conversar com a família e prestar todo o auxílio necessário para melhorar o aprendizado. Nessas visitas levava os filhos para a interação com os estudantes.
Começou a trabalhar cedo em sua cidade natal; auxiliava os pais na lavoura. A pequena Sueli viveu boa parte de sua infância e adolescência no campo, colhendo milho de forma manual e realizando outras atividades relacionada à agricultura. Gostava de recordar desse tempo contando as histórias aos filhos. Fez questão de levá-los para conhecer a casa em que passou a infância no interior de Santa Catarina. Foi há oito anos. Também mostrou como eram os trabalhos na lavoura.
Ela começou a trabalhar como doméstica e babá ainda na adolescência. Depois foi vender roupas, atividade que a deixava em contato com as pessoas – algo que gostava muito. Após concluir os estudos, passou a lecionar em Pinhalzinho. Foi lá que Sueli conheceu José Carlos e se apaixonou. Foi correspondida e o amor levou o casal para o altar. O relacionamento durou quatro décadas.
Após o marido ser chamado para um trabalho irrecusável em Cascavel, a família se mudou para o Paraná. Sueli foi aprovada em concurso público e, então, pôde fazer aquilo que mais gostava: ensinar os alunos. Ela era mais do que uma professora, era uma verdadeira mãe para o estudantes. A catarinense chegou até a levar para dentro de casa um aluno considerado “problemático”. Ela aconselhava o estudante como se fosse um filho. Durante um bom tempo o jovem ficou mais na casa da professora do que com os próprios pais. Os conselhos surtiram efeito e hoje o menino é um homem formado, trabalha e deixou para trás a fama de “garoto problema”.
Em Cascavel, ela foi nomeada para ocupar cargos de confiança na Secretaria Municipal de Educação. Quando trabalhou no setor de merenda, descobriu um esquema de desvio que a deixou muito triste. Foi peça fundamental para acabar com a irregularidade. Essa situação a aborreceu tanto que ela decidiu voltar para a sala de aula – mesmo sabendo que teria o salário reduzido em dois terços. Atuante, sempre defendeu a categoria e integrava o Siprovel, o Sindicato dos Professores de Cascavel.
Ligada à Igreja Católica, desenvolvia trabalhos sociais. Recebia todos com um sorriso aberto e ninguém desconfiava que há 16 anos fazia tratamento para depressão.
Evandro, um dos três filhos de Sueli e José Carlos, seguiu os passos da mãe e se tornou professor. O filho conta que sempre ouvia os conselhos dela em relação ao magistério. “Você deve cuidar dos alunos, tratá-los com firmeza, porém, com amor”, costumava ensinar.
O filho lembra -se da primeira vez que a família foi para a praia. “Ela pegou na minha mão e do meu irmão e fomos para a água. Ela brincou com a gente até cansarmos”, relata.
Recentemente, Sueli descobriu que tinha um nódulo benigno em um dos rins. Segundo a família, não era nada grave, mas ela optou pela retirada, após o diagnóstico médico. Sofreu uma parada cardíaca durante a cirurgia, foi reanimada, mas não resistiu à segunda. Deixa o esposo, José Carlos, os filhos Éverson, Evandro e Leandro, além dos netos Daniel e Eloise.







