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lista de falecimentos - 16/04/2015

Tita Bastos: a professora das misses do PR nas décadas de 1960 e 1970

Tita Bastos | Fabiana Guedes/Divulgação
Tita Bastos (Foto: Fabiana Guedes/Divulgação)

Não tinha quem conhecesse Tita Bastos e não ficasse surpreso pelo seu charme. Era nonagenária e esbanjava classe e beleza. Sabia como ninguém manter o título de uma das mais conhecidas professoras e orientadoras de misses que o Paraná teve. Também era reconhecida como a primeira manequim profissional paranaense. De batismo, chamava-se Jurity Bemba Bastos, mas pouquíssimos sabiam seu nome. Era simplesmente Tita.

Mantinha a beleza trigueira, o corpo rijo e magro, e o porte de miss – mesmo sem nunca ter sido. “Era de parar o trânsito”, relembra a sobrinha Índia Brandão. Para Tita, as passarelas serviam para treinar as mulheres mais bonitas que o estado teve durante as décadas de 1960 e 1970. Nada de ser miss. A sobrinha esteve ao lado de Tita por 18 anos e sabe muito bem da alegria – discreta, na maioria das vezes – e da postura firme que ela mantinha durante os treinamentos.“Vez ou outra tinha que lembrá-la que a escola não era um colégio de freiras”, devido à rigidez que impunha às candidatas.

Em seu currículo, tinha o orgulho de ter orientado Angela Vasconcelos, a primeira paranaense a conquistar o título nacional de Miss Brasil, em 1964. A partir dessa vitória, Tita tornou-se referência no mundo das misses, principalmente no Paraná e Santa Catarina. Foi Tita também que acompanhou Marly Simão no concurso nacional de 1969. Naquele ano a vitoriosa foi a catarinense Vera Fischer.

Atuou como professora em várias escolas para modelos, e montou o seu próprio estabelecimento na década de 1980. Em meio à agenda apertada das aulas, em uma época que o sonho das jovens era a estreia nas passarelas, havia inúmeras as viagens bate-e-volta e Tita adorava. “Ser o centro das atenções era tudo para ela”, recorda-se Índia.

Tita gostava do ambiente de glamour. Reunia sua coleção de echarpes, colares largos e coloridos, roupas discretas e de bom corte. Esbanjava refinamento. Não à toa, os primeiros empregos foram como modelo. Desfilava roupas de alta costura de ateliês e lojas famosas de Curitiba. Aprendeu a ter um olhar atento e certeiro do que era bom. Com o trabalho com as candidatas, sabia quem tinha potencial e quem precisava melhorar. Dava aulas de expressão corporal, etiqueta, passarela e, em alguns casos, até precisava ensinar a utilizar os talheres.

Ficou noiva de um fazendeiro, mas desistiu do casamento pelo ciúmes do namorado. Para ela, ter uma profissão era fundamental, assim como manter seu jeito extrovertido e moderno. Era vaidosa demais. Quando o assunto era idade, tinha resposta na ponta da língua. A pergunta vinha seguida de outra para desconcertar o interlocutor: “que idade você me dá?”

Com o tempo, foi alterando sua rotina em consequência dos cuidados com a mãe, Alice. As viagens constantes e os convites para eventos foram sendo preteridos pouco a pouco. Manteve, porém, o gosto pelos passeios aos shoppings. Principalmente, quando era para fazer compras. Nunca chegava em casa sem uma sacola, relembra a sobrinha.

Índia conta que a relação com Tita era mais de amiga do que de sobrinha. “Nunca a chamei de tia. Somente de Tita”. Para ela, a amiga, colega e confidente em nada lembrava uma mãe ou uma tia. “Era apenas uma pessoa com um coração enorme.” Deixa as duas irmãs, Jussara e Iara; Índia e outros sobrinhos.

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