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Lista de falecimentos - 15/08/2015

Vany Souza Scheidt (Valmy): uma história com dois nomes

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

“Olá, posso falar com a Vany?”. Quando ouvia essa pergunta ao telefone, ela já sabia que do outro lado da linha estava uma pessoa desconhecida ou alguém com quem havia tido pouco contato. Vany Souza Scheidt preferia ser chamada de Valmy, nome que seus pais – Romeu Souza e Austrália Conti Souza – escolheram para ela, mas que nunca constou em nenhum documento. Segundo um de seus sobrinhos, Osmário Souza Ribas, houve alguma confusão no momento do registro da menina, nascida em 1930, e a troca de nomes passou despercebida pelo pai.

Ela viveu a infância numa casa situada na antiga Rua Tenente Hinon Silva, na região central de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Valmy era uma das menininhas que brincavam na Praça João Pessoa, ao lado do Terminal Central, e parava tudo o que estava fazendo para admirar o trem chegando à Estação Ponta Grossa – atual Estação Saudade. Depois de concluir os estudos no Colégio Regente Feijó, ela foi admitida na primeira turma da antiga Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi). A celebração da formatura, em 1952, teve como paraninfo Bento Munhoz da Rocha Neto, que na época era o governador do Paraná.

Osmário lembra-se de que a tia fez parte, na época de estudante, de uma turma de jovens que fez história em Ponta Grossa. “Era o chamado “grupo dos Escalpelados”, que se reunia no porão da Rádio Clube AM (PRJ2) pra fazer festas de aniversário, confraternizações e bailes de carnaval”, conta. Esse grupo deu origem ao famoso Clube dos Solteiros, que é um dos principais pontos de encontro da noite ponta-grossense.

Depois de trabalhar alguns anos numa farmácia e no escritório do Ministério da Agricultura em Ponta Grossa, Valmy foi aprovada num concurso para atuar como secretária da Justiça do Trabalho, onde permaneceu até a aposentadoria. Logo depois de convocada, ela começou a trabalhar no edifício Itapoã. Essa fase da sua vida durou até o fim da década 1960, quando se mudou para Apucarana, no Norte do Paraná. “Como não havia Junta de Conciliação na cidade, a tia Valmy tinha de pegar ônibus todo dia para Londrina”, relata o sobrinho. Mesmo depois do nascimento de sua única filha, Luiza Helena, em 1973, a rotina de viagens e trabalho intenso continuou. Enquanto a mãe passava o dia fora, a pequena Luiza era cuidada pela babá e também por alguns vizinhos de confiança.

Em 1976, ficou viúva de seu amado Antenor Scheidt e, um pouco mais tarde, decidiu voltar a morar e trabalhar na cidade natal. Já aposentada, Valmy foi viver com a filha em Curitiba, cidade em que passou os últimos anos de sua vida. Mesmo depois da morte de Luiza, que tinha 29 anos, ela decidiu continuar vivendo na capital, no Água Verde.

Dona de uma memória muito sensível a nomes e datas, ela guardava na mente – com precisão – dados genealógicos do seu lado “Souza” que impressionavam e até surpreendiam os parentes. “Uma vez a tia começou a falar todos esses nomes e uma prima minha pediu que eu anotasse, pois não conseguiríamos lembrar de tudo”, comenta.

Na cozinha, Valmy “batia um bolão” com seu empadão de camarão. Também era torcedora fiel do Atlético Paranaense e do Corinthians. Em Ponta Grossa, os times do coração eram o União Campo Alegre (Uca) e o centenário Guarany.

Atendendo a um pedido feito por ela, o último adeus de Valmy ocorreu numa cerimônia de cremação ao som de um violino tocando a canção de Tom Jobim que tem o mesmo nome de sua filha: Luiza. Viúva, deixa um irmão, uma irmã e os sobrinhos.

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