
A amizade entre a dona de casa curitibana Vera Lúcia Concer e Rosemari Souza durou 47 anos. Os laços – que começaram na infância por meio da estima entre a mãe de uma e a tia da outra – transformaram-se em um relacionamento de irmãs. Com os anos, casadas e com filhos, cada uma presentou a outra com o pedido de batizado de uma das filhas. Viraram comadres. Era a tia Vera Lúcia que mimava os filhos de Rose com os sapatinhos de lã, presente eternizado e entregue recentemente para a afilhada Karol. Também era a avó Vera Lúcia postiça.
O desprendimento, a vivacidade e a solidariedade de Vera Lúcia foram características inegáveis, lembra a comadre. “Vera se mostrava sempre de bem com a vida, mesmo nos momentos mais difíceis”, lembra-se Rose. Um dos piores ocorreu quando Vera Lúcia tinha pouco mais de 30 anos e precisou retirar um rim, pois teve uma infecção. Saiu do hospital e seguiu a vida como se nada tivesse acontecido. “Era ligada em 220V”, brinca a afilhada. Manteve o batom vermelho e o sorriso no rosto. Essas eram algumas das características marcantes para quem a conheceu.
A união entre as famílias sobreviveu ao tempo e ao espaço. Vera Lúcia casou-se em fevereiro de 1973; e a amiga estava lá, recém-casada há pouco menos de dois meses. Os maridos se transformaram em amigos; e, muitas vezes, saiam para comprar presentes para as esposas juntos. Os filhos das duas nasceram com diferença de poucos meses e foram criados juntos.
Nos aniversários das crianças, Vera Lúcia era a responsável pela decoração da festa. Os bolos também tinham um design especial; os doces eram feitos pelas duas e as lembrancinhas eram resultado da criatividade dela. Com poucos recursos, ela transformava uma festinha em um acontecimento a ser lembrado. Outro detalhe é que em todos os aniversário Vera Lúcia era a primeira ligar ou, atualmente, a enviar mensagens de felicitação. “Os aniversários nunca mais serão os mesmos”, salienta Rose.
Além de estar sempre presente, a dona de casa era prestativa. Se alguém precisasse que fosse ajudar uma pessoa doente, Vera Lúcia estava a postos. “Era a amiga para todas as horas. Boas ou ruins”, diz Rose. Há 15 anos, Vera Lúcia estava viúva e morava próximo a uma das filhas, no bairro Água Verde.
A dupla frequentava os cultos na Terceira Igreja do Evangelho Quadrangular, também no Água Verde, todas as últimas terças-feiras do mês. Elas também se encontravam para irem juntas ao chá com as amigas da igreja. Para tristeza de Rose, “não direi mais: vou contar para a Vera.” A frase usual, quase diária, era recorrente quando havia algo importante para compartilhar com a amiga.
Rose conta que, para um dos netos, Vera Lúcia era tão especial que ele dizia que queria eternizar a avó. Deixa quatro filhos e oito netos.






