
O cineasta curitibano Wilson Koprik nasceu para as artes. A primeira delas, antes mesmo do cinema, foi a música. Filho único de Ceslau e Angela Koprik, ela estava no seu sangue. Pelo fato de seus pais tocarem muitos instrumentos, a paixão por essa arte o contagiou ainda criança. A primeira de suas escolhas foi o violino; começou a aprender na igreja em que frequentava desde a infância. Mais tarde, aprimorou sua habilidade ao cursar a Escola de Belas Artes, em Curitiba. Durante a juventude também aprendeu a tocar trompete, atividade que também aumentou sua paixão pelo jazz.
Além do talento com os instrumentos, tinha orgulho de sua coleção de discos de vinil. Era uma cena comum vê-lo sentado e apreciando os “bolachões” de jazz, principalmente os de Louis Armstrong, MPB e samba. Tentou se adaptar ao CD, comprou e ganhou alguns exemplares, mas sua paixão era mesmo pela vitrola.
O cinema surgiu em sua vida não só como uma paixão, mas também como sua profissão. Em 1959, formou-se cineasta pela E. Szankovski Produções Cinematográficas, em São Paulo. O ofício fez com que começasse a colecionar filmes, não só os que produziu, mas também aqueles que gostava de assistir.
Especializou-se como diretor de fotografia em documentários técnicos, nos quais retratava obras públicas feitas pela Prefeitura de Curitiba. Atuou na função pela Guaíra Produtora durante toda a década de 1960. Após esse período, passou a dar aulas de Cinema com Comunicação na então Universidade Católica do Paraná e, logo em seguida, fundou sua própria empresa, a Decolores Produções Cinematográficas. Wilson frisava seu ideal de profissional dizendo que “o cinema não era simplesmente um trabalho ou uma forma de ganhar dinheiro, mas sim de deixar agora, em imagens animadas, um retrato de um momento e de uma época”.
Além de cineasta e músico, ele também foi jornalista, sonoplasta e locutor. Sempre falava com amor de seus empregos e atividades. Marcou sua carreira pela organização com que mantinha suas coisas. “Era impressionante o jeito perfeccionista que ele tinha. Seu acervo de filmes, mesa, papeis, tudo era mantido numa perfeita ordem”, conta Wilson José, um dos filhos do curitibano.
Em todos os anos de profissão, a esposa, Marilda, sempre esteve ao lado dele. Wilson conheceu a amada dentro da Igreja de São Francisco, local que os dois frequentavam. Logo que a viu pela primeira vez, ele se apaixonou. Com a ajuda de amigos em comum, se aproximou da jovem e fez grande amizade. O namoro e o casamento vieram somente cinco anos mais tarde. A união ocorreu em maio de 1960 e dela nasceram os filhos Wilson José, Paulo Luiz e Mariângela.
Wilson e Marilda tinham um grande grupo de amigos. Aos domingos, era comum se reunirem na casa de algum deles para almoços e longas tardes de conversa. Em meados da década de 1990, mudaram-se para Guaratuba, no Litoral do Paraná, onde moraram por 23 anos. Na praia, o casal manteve o hábito dos encontros.
O amor que tinha pela praia era como uma fonte de paz para Wilson. Desde muito jovem dava suas fugidas para o Litoral acompanhado de sua vara de pescar. Em Guaratuba, fez grandes amigos que o acompanhavam nas pescarias, seu maior hobby. Enquanto não teve um barco, ia na companhia deles para o mar. Mais tarde, quando adquiriu o seu, era ele quem os levava. Teve de veleiros a barcos movidos a motor, tudo para satisfazer sua paixão pela pesca. Com os filhos ainda pequenos, o Rio São José era o grande destino, sua diversão era levar as crianças para pescar lambaris.
Wilson tinha câncer no fígado. Faleceu em 4 de julho. Deixa esposa, Marilda, os filhos Wilson José, Paulo Luiz e Mariângela e quatro netos.
Dia 4 de julho, aos 78 anos, de câncer no fígado, em Curitiba.
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