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Lista de falecimentos

Zaira Júlia Coelho Avelleda: uma centenária curitibana

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Ela carregou a experiência de uma mulher centenária. No dia 19 de maio de 1911, Zaira Júlia Coelho Avelleda nasceu em uma casa localizada na Rua Pedro Ivo, nº 7, em Curitiba. Nesta época, as ruas da cidade eram ocupadas por charretes, cavalos e homens vestidos elegantemente com terno, gravata e chapéu. Aos poucos, esse ar pacato foi sendo alterado pelas grandes construções, carros e pelos novos habitantes. Em 104 anos vividos, Zaira presenciou o fenômeno de uma cidade que se fez grande.

Filha de Ataliba Affonso Coelho e Ana Nisch Coelho, ela mantinha uma paixão pela educação. Recém-formada professora, Zaira encarou o desafio de trabalhar em uma escola isolada no bairro do Taboão, no final da Rua Mateus Leme. Logo em seguida, lecionou por 16 anos no Colégio Estadual Dom Pedro II.

Em 1946, ela foi nomeada a primeira professora do Colégio Estadual Julia Wanderley. Para quem sempre se dedicou à educação, esse foi um presente do destino. Junto com Isolda Schmidt, a primeira diretora da instituição, ajudou a consolidar as diretrizes de ensino da escola. Após 32 anos à frente de uma sala de aula, Zaira se aposentou do serviço público estadual.

Ao lado de Clodomiro Avelleda, falecido em 1988, aos 81 anos, constituiu uma família e teve dois filhos: Darley Luís, geólogo, e Adilson, coronel do exército. “Ela foi uma mãe excelente e dedicada”, diz o filho Adilson Avelleda. Na memória deles, ficaram registrados os bons momentos da infância e o esforço da mãe para garantir uma educação sólida aos filhos.

Clodomiro e Zaira adoravam viajar. Na companhia de amigos, eles conheceram o estado do Maranhão e cidades como Manaus e Foz do Iguaçu. Mas o destino favorito do casal era a romântica Buenos Aires, capital da Argentina, um lugar propício para um relacionamento tão duradouro. Zaira também se encantava pelas areias de Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Todos os anos, o dia do seu aniversário era comemorado com uma grande festa que reunia parentes e amigos. Apesar da idade avançada, ela não dispensava esses momentos com a família. Sempre vaidosa, fazia questão de um bom penteado e unhas pintadas nas datas festivas.

No tempo livre, a professora trocava a sensação áspera do giz branco pela delicadeza dos pinceis, tintas e telas. Como pintora, gostava de exibir as suas obras nas paredes da casa e também de presentear amigos e familiares. O quadro com a imagem da Santa Gema Galgani ainda permanece exposto na Paróquia Senhor Bom Jesus do Cabral. A pintura não era a única arte que ela dominava. Confeccionava roupas para a família na máquina de costura. E ainda encontrava tempo para se dedicar ao piano.

Na juventude, participou ativamente da paróquia no Cabral. Naquela época, ainda não existia a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Alto da Glória. Como uma fiel dedicada, Zaira auxiliou na construção da igreja – hoje santuário –, a nova sede para a antiga Capela Nossa Senhora da Glória.

Não são todas as pessoas que ficam na Terra por tanto tempo. Para alguém que mantinha tanto amor à vida, nada melhor do que aproveitar ao máximo o limite inevitável do corpo. Ao longo dos 104 anos, Zaira acumulou sorrisos, histórias e amores. Também deixou as suas singelas marcas na cidade.

Com uma saúde de ferro, Zaira Júlia Coelho Avelleda não foi diagnosticada com nenhuma doença nos últimos dias de vida. A morte lhe chegou calmamente para não assustar a centenária. Deixa filhos, netos e bisnetos.

Dia 21 de novembro, aos 104 anos, em decorrência de causas naturais, em Curitiba.

Lista de falecimentos - 09/01/2016

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