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lista de falecimentos - 22/06/2015

Zely Bértoli Braga: 91 anos de bom humor e juventude

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Dona Zely Bértoli Braga era um daqueles casos em que a idade parece nunca chegar. Aos 91 anos, tinha fôlego e espírito de menina. Sua vitalidade impressionava e era caso a ser estudado, literalmente. Na clínica geriátrica que frequentava, os estudantes sempre pesquisavam seus hábitos em busca de uma explicação para tanta força. O bom humor e a vaidade também só aumentavam conforme os anos passavam. Se elogiassem sua boa aparência, ela logo emendava: “velha que não se ajeita, por si só se rejeita”. Em seu aniversário de 90 anos fez questão de passar toda a festa em pé e sobre um salto.

O dia de sua aposentadoria foi, como ela mesma sempre dizia, o seu primeiro dia de trabalho. Professora desde os seus 17 anos, após deixar as salas de aula, em 1973, passou a desempenhar outra importante missão. Conheceu o asilo e o orfanato da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, em um período em que a instituição enfrentava grandes dificuldades. Ela se solidarizou e se envolveu tanto para levantar recursos para os moradores que nunca mais abandonou os trabalhos sociais. Entrou na Associação de Caridade Santa Rita de Cássia, em Curitiba, para facilitar a intermediação entre as doações e o asilo. Em três meses de dedicação total à caridade, foi eleita a presidente do grupo.

Seu trabalho com a comunidade se estendia também para a igreja que frequentava. Na Paróquia Bom Jesus do Cabral tornou-se ministra da Eucaristia. Sempre trabalhou acompanhada de seu marido, Eduardo, que faleceu em 2004. Mesmo viúva, continuou ministrando as palestras que tinha desenvolvido com seu companheiro. Juntos, comandaram cursos para jovens e casais por mais de 20 anos. Como ministra da Eucaristia, sua missão era levar o Corpo de Cristo para aqueles que não podiam sair de suas casas.

Zely era o que pode se chamar de atemporal. Tinha amigos de todas as idades. Por sua boa conversa, sempre simpática e atualizada, conquistava amizades por todos os lugares em que passava. Mantinha algumas anotações sobre sua história. Sobre os muitos amigos e sua idade escreveu o seguinte trecho: “nunca me senti só e nem idosa. As limitações da idade procurei tirar de letra. Quando minhas amizades antigas teimam em partir antes de mim, faço outras. Terei sempre na memória as que partiram e me deixaram a mais bela, grata e suave recordação.”

Fez questão de dirigir até quando pode. Aos 87 anos ainda estava no comando do volante. Parou de dirigir somente quando foi obrigada. Para proteger a mãe dos perigos do trânsito, os três filhos esconderam a última renovação de habilitação de Zely, que chegou por correspondência.

O bom humor era demonstrado até nas situações de estresse. Certa vez enquanto dirigia, foi surpreendida por um jovem que gritou para ela parar de dirigir e fazer tricô. A resposta dela foi rápida: disse que estava indo comprar lã – o que era verdade.

Entre todos era conhecida por ser “boa de garfo”. Comia sempre de tudo. “Os amigos que eram chefs de cozinha lembram-se dela com carinho. Dizem que perderam sua maior fã”, conta a filha Denise. Para acompanhar a boa mesa, não abria mão do vinho. Um copo por dia era sua dose perfeita. Amigos e familiares a presenteavam também com licores, os quais eram bebidos todos os dias – sempre em pequenas quantidades. Brincava que esse era o segredo de sua longevidade.

Já com mais de 80 anos aprendeu a usar o computador. A família foi a principal incentivadora de dona Zely. Ganhou um notebook da filha Denise e usava a internet para conversar com a neta “Ju”, como ela gostava de chamar a menina, que estava morando no Canadá. Era também uma leitora de mão cheia e devorava longos livros com facilidade.

Zely costumava dizer que viveria até o momento que Deus ainda lhe reservasse uma missão. Aos 91 anos, terminou de cumpriu a sua. Sofreu um mal súbito, o que abreviou a sua longa história. Ela não se sentiu bem, em 9 de junho, e pediu que o filho João chamasse uma ambulância. Enquanto o filho ligava, Zely sentou em sua cadeira de balanço e repousou “em paz” para sempre. Deixa três filhos: Heloíse, Denise e João, três netas, quatro bisnetos, o irmão Alexandre e muitos amigos.

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