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Litoral

Por que o mar do Paraná não é tão azul quanto o de Santa Catarina?

A água do Litoral paranaense não é igual a do vizinho: rios e a formação geológica, além das correntes marítimas, ajudam a explicar as diferentes colorações do mar

  • Antoniele Luciano e Eriksson Denk, especial para a Gazeta do Povo
Pequenas diferenças ajudam a explicar o porquê de Balneário Camboriú ser mais atraente do que Caiobá | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Pequenas diferenças ajudam a explicar o porquê de Balneário Camboriú ser mais atraente do que Caiobá Daniel Castellano/Gazeta do Povo
 
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As águas do mar podem ter muitas cores: basta comparar os litorais do Paraná e Santa Catarina para se constatar a diferença. Afinal, por que o mar paranaense não é tão azul quanto o vizinho? A resposta está ligada a diversos fatores, distante da discussão sobre balneabilidade (praias próprias ou impróprias para banho).

Os tons de verde, marrom ou azul são caracterizados pela composição e espessura dos grãos de areia, formações geológicas, correntes marítimas, profundidade da água e também pelo recorte das praias, além da incidência da luz solar. Em alguns pontos do Paraná e Santa Catarina, sobretudo entre Paranaguá e as praias do litoral sul do estado vizinho, essa diferença é gritante e está condicionada basicamente a características muito próprias de cada geografia.

De acordo com o professor e doutor em Engenharia Oceânica Eduardo Gobbi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o litoral do Paraná é impactado por duas bacias muito grandes – de Guaratuba e Paranaguá –, que provocam mudanças constantes na coloração. “Elas lançam sedimentos mais finos no mar, que vêm descendo pelas serras. Guaratuba, por exemplo, tem plantação de banana, sedimentos que se perdem. Tem os escorregamentos, o uso intenso do solo no estado. Tudo isso desce e é ‘jogado para fora’. Esse ciclo influencia definitivamente o mar paranaense”, conta. Os rios tendem a carregar elementos de decomposição de folhas, além de areia e barro, de coloração marrom.

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Guaratuba também tem seu charmeSanepar/Divulgação

Somado a esse ingresso de sedimentos, e ao mar mais raso e de areia mais fina, o Paraná é impactado mais facilmente também por ressacas, que mudam a cor das águas. “As ressacas têm capacidade para mexer mais facilmente nesse material mais leve, que é suspenso e muda a coloração da água. Se você tem poucos rios por perto, e o litoral muito recortadinho, como em Santa Catarina, com pequenas entradas, obviamente as praias terão águas mais límpidas”, diz Gobbi.

Mar “ideal”

Segundo o professor da UFPR, o mar “ideal”, fotográfico, sofre menos influência dos rios. “De Piçarras, Barra Velha e São Francisco para cá, há certa semelhança entre o litoral catarinense e o parananense. Esse é um ponto mais velho sob o prisma geológico. Nosso litoral se aproxima disso pela quantidade de sedimentos, temos um litoral muito mais raso que o de Santa Catarina, o que torna a coloração mais escura”, explica. Gobbi lembra que após o rio Itajaí-Açu, em Balneário Camboriú, o litoral catarinense mantém um padrão até Florianópolis. Depois da capital, ele muda novamente.

Em Santa Catarina, observa o especialista, as curvas são mais acidentadas de Norte a Sul, enquanto no Paraná o litoral “se encaminha” em direção a São Paulo e ao Rio de Janeiro. Pelo recorte das praias, que protegem Santa Catarina em relação a ondas e ventanias, o estado também concentra alguns dos melhores pontos de mergulho do país, com águas mais claras.

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Ainda assim, as praias de Caiobá e Matinhos seguem atraindo milhares de turistasLineu Filho/Gazeta do Povo

O professor também esclarece que as águas catarinenses tendem a ter um tom mais claro que as do Paraná porque o mar paranaense é mais jovem – por isso, solta mais sedimentos finos, que, a qualquer ondulação mais forte, contribuem para alterar a cor no fundo do mar.

A luz e as correntes

Outros fatores que podem influenciar na cor das águas são as correntes marítimas e a incidência de luz sobre o mar. Para Gobbi, as grandes correntes marítimas oceânicas, como as Malvinas, não têm influência na zona de rebentação das ondas, mas outras duas correntes impactam o “mar de banho” e também a cor das águas.

“São duas grandes correntes: a de maré [que tem forte influência em embocaduras de rios e estuários] e a de deriva litorânea, gerada pela rebentação da onda. Esse segundo tipo é predominante. É a corrente que o surfista pega, que transporta os banhistas para dentro do mar”, explica. A influência de ventos sobre essas determinadas regiões impacta as condições geológicas e podem alterar a cor das águas.

Além disso, o mar reflete a cor azul porque ela não é absorvida pelo reflexo do sol quando a luz penetra na água. Devido a características físicas, a água absorve mais as cores com comprimento de onda maior (vermelho e laranja) e, por isso, ao receber a luz do sol, reflete mais o azul, cor com menor comprimento de onda do espectro de luz visível a olho nu.

Da mesma maneira, o mar pode ter tons mais verdes com a presença de muita matéria orgânica dissolvida ou de fitoplâncton (algas microscópicas que vivem dispersas na água); vermelho, se contar com algumas cianobactérias; marrom, por causa dos sedimentos; e preto, comum em mangues, resultado da biodegradação de outros materiais orgânicos, como vegetais e animais.

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