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Crise na Saúde

Prefeitura diz que médicos não aderiram à greve; sindicato garante paralisação

Pelo menos 60% dos médicos devem seguir trabalhando normalmente, mesmo em greve, segundo o sindicato; 100% dos atendimentos emergenciais estão garantidos

Segundo sindicato, efeitos da greve só devem ser sentidos mais para frente | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Segundo sindicato, efeitos da greve só devem ser sentidos mais para frente (Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

A Feaes-Curitiba (Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba) divulgou uma nota na manhã desta quinta-feira (26) afirmando que os médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não aderiram à greve e que as atividades desempenhadas por eles não sofreram alterações. Essa situação, no entanto, pode mudar com a troca de turno dos funcionários, que ocorre, em alguns lugares, às 15h.

O Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar), por outro lado, garante que a paralisação já começou, ainda que ela não seja sentida de imediato pela população porque 100% dos atendimentos emergenciais estão garantidos pelos trabalhadores.

De acordo com a nota da Feaes, “não houve adesão dos médicos contratados pela fundação à greve”. Ao todo, a instituição tem sob sua gestão 638 médicos das UPAs - o que envolve também o atendimento dos Samus -, Hospital do Idoso Zilda Arns, Maternidade Bairro Novo e Centros de Atenção Psicossocial de Curitiba (Caps).

A Gazeta do Povo percorreu a UPA do Pinheirinho e o Hospital do Idoso na manhã desta quinta-feira (27). Os atendimentos estavam normais. Na UPA, duas senhoras, Amélia Fila, 59 anos, e Cecília Fila, 60 anos, sequer aguardaram para Cecília ser atendida. Ela estava com uma crise de labirintite e foi medicada. Às 8h, elas já haviam sido liberadas.

Próximos dias

Para Claudia Paola Carrasco Aguilar, médica psiquiátrica e secretária-geral do Simepar, a greve será sentida nos próximos dias para pacientes com consultas e cirurgias agendadas. “Nós combinamos que nada de urgente entrará na paralisação. Estamos trabalhando muito cuidadosamente para evitar que a população fique ainda mais desassistida do que já está. Temos vários postos aderindo, mas não será uma paralisação total. Além dessa parcial, estamos estudando outras estratégias que não prejudiquem a população”, explica.

Pelo menos 60% dos médicos devem seguir trabalhando normalmente, mesmo em greve, segundo o sindicato. “Não tem como paralisar o Samu, por exemplo. Nós queremos demonstrar insatisfação com a política da Feaes. Com o atendimento normalizado já acontecem tragédias por falta de assistência, por incompetência dessa gestão. Nós também não podemos sobrecarregar mais os curitibanos”, completa Aguilar.

A Feaes afirma que é a instituição com mais médicos contratados na capital paranaense e com a maior remuneração hora-médica da região. Nesta quarta-feira (26), a prefeitura alegava que a paralisação “causava estranheza, considerando o aumento já disponibilizado, o momento de crise que passa o país e os esforços feitos pelo município para rever e diminuir custos orçamentários, sem prejuízos à manutenção dos serviços oferecidos”.

Para evitar prejuízo, a Feaes afirma que já tinha elaborado um Plano de Contingência com a fixação de quantitativo mínimo em todos os locais atendidos por médicos da fundação. Nesta manhã, o mecanismo não precisou ser posto em prática, mas isso pode vir a acontecer dependendo da adesão dos próximos turnos.

A paralisação não afeta o atendimento nas unidades básicas de saúde, já que os médicos são estatutários. Os profissionais contratados pela Feaes são celetistas.

Entenda o caso

O Simepar alega que os salários dos médicos precisam passar por um novo reajuste. A solicitação inicial da classe foi de 10% e, durante as negociações, caiu para 4,5%. No entanto, não houve acordo. “Nós aceitaríamos os 4,5%, que é apenas a reposição da inflação somada ao ganho real de 1%, porque sabemos qual é o cenário econômico atual. Só que eles nos ofereceram 3% e ainda voltaram atrás nessa proposta”, argumenta a diretora do sindicato.

De acordo com a entidade que representa os médicos, a intenção era que essa redução no pedido servisse de base para políticas voltadas para a melhoria das estruturas. “As UPAs estão sobrecarregadas, temos registro de agressões, insegurança, insuficiência de leitos e falta de medicamentos”, registra a diretora.

De acordo com o Feaes, que gere esses recursos desde março de 2013, nos últimos quatro anos a instituição reajustou os salários da categoria em 33,68% de aumento real. O reajuste do último ano foi de 10,5%: 6% reajustado em maio de 2016 e 4,5% em janeiro deste ano.

Para a secretária-geral do Simepar, esse valor corresponde à atualização da hora-médica. “A prefeitura tinha contrato de gestão com Evangélico, Cajuru, Funpar, Cruz Vermelha. O que aconteceu: nós percebemos distorções, médicos que fazia trabalhos iguais em unidades diferentes e recebiam de maneira diferente, além do excesso de horas extras. O valor da hora trabalhada era extremamente baixo. O valor não atraia nem mesmo novos candidatos. Esse valor corresponde à atualização do valor da hora. Antes, os médicos faziam mais horas extras do que as horas contratadas. Era uma aberração trabalhista”.

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