
O setor de cooperativismo de crédito no Brasil alcançou o patamar de R$ 1 trilhão em ativos em 2025, impulsionado por um crescimento constante acima de 20% ao ano na última década. Com mais de 21 milhões de associados, o segmento agora busca expandir sua presença nas regiões Norte e Nordeste, onde a penetração ainda é baixa se comparada à força histórica que as cooperativas possuem no Sul.
Por que o setor espera uma desaceleração no ritmo de expansão?
Apesar do sucesso recente, os dirigentes do setor preveem que o crescimento deve se moderar no curto prazo. O cenário econômico atual, marcado por juros elevados, pressão na renda das famílias e aumento da inadimplência, deve reduzir o ritmo de depósitos. O CEO do Sicredi, Cesar Bochi, estima que o setor deve crescer próximo de 10% em vez dos 20% registrados anteriormente. No entanto, ele reforça que esse índice ainda é muito superior à média do mercado financeiro tradicional e que o sistema cooperativo ainda está longe de atingir o seu teto de participação no Brasil.
Qual é a principal diferença entre as cooperativas e os bancos digitais?
Diferente das fintechs e bancos digitais que operam focados em escala virtual e processos automatizados, as cooperativas de crédito priorizam um modelo de atendimento mais humano e próximo. Segundo os executivos, o diferencial competitivo é a confiança gerada pelo contato direto, o chamado 'olho no olho'. Mesmo com a modernização tecnológica, a cultura cooperativista foca em relações de longo prazo com os sócios, o que pode tornar o crescimento um pouco menos veloz do que o de uma empresa puramente digital, mas garante uma base sólida e sustentável de associados.
Como as cooperativas pretendem avançar no Norte e Nordeste?
Atualmente, o cooperativismo no Brasil é muito concentrado no Sul, onde 26,3% da população é associada, contra apenas 1,6% no Nordeste. A estratégia de expansão baseia-se na migração da fronteira agrícola e na indicação boca a boca. O Sicredi, por exemplo, oferece cerca de 300 produtos financeiros para diversos perfis, de pequenos agricultores a grandes empresários. A ideia é replicar o sucesso das regiões desenvolvidas, onde a presença de uma cooperativa ajuda a reduzir a dependência de assistência social e retém o lucro dentro da própria comunidade local.
Quais são as referências internacionais para o crescimento do setor?
O Brasil olha para países onde o cooperativismo é protagonista. Na França, sistemas mutualistas detêm mais de 60% do mercado financeiro. Nos Estados Unidos, as uniões de crédito têm mais de 145 milhões de membros e lideram setores como financiamento imobiliário e automotivo, contando com isenções tributárias e obrigação de reinvestimento local. Outro exemplo marcante é a Irlanda, onde o número de associados chega a superar a população total do país, demonstrando que o modelo é visto como uma alternativa vantajosa e segura em relação aos bancos comerciais tradicionais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.






