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Para entender

Cooperativas do Paraná investem na fabricação própria de bioinsumos agrícolas

Marco Antonio Nogueira, pesquisador da Embrapa Soja, participou das pesquisas que deram origem ao primeiro inoculante biológico da Coopavel (Foto: Maicon Leão / Embrapa)

Cooperativas paranaenses como a Coopavel e a Cocamar decidiram investir na fabricação própria de bioinsumos, aproveitando o crescimento de um mercado que movimentou R$ 7 bilhões em 2025. Com fábricas em Cascavel e Paranavaí, as organizações buscam oferecer produtos biológicos frescos e assistência técnica direta aos associados, reduzindo a dependência de fornecedores externos e insumos químicos.

O que são bioinsumos e qual a importância deles para a agricultura brasileira?

Bioinsumos são produtos feitos a partir de microrganismos vivos, como bactérias e fungos, que ajudam as plantas a crescerem de forma saudável. Na prática, eles funcionam de duas maneiras principais: ajudando a planta a capturar nutrientes do solo e do ar ou combatendo pragas e doenças de forma natural. Esse mercado está em franca expansão no Brasil, movimentando bilhões de reais. A grande vantagem é que eles oferecem uma alternativa ou um complemento aos defensivos químicos tradicionais, atendendo a uma demanda crescente dos consumidores por alimentos produzidos de maneira mais sustentável.

Qual é a principal vantagem das cooperativas ao fabricarem seus próprios biológicos?

A grande diferença está na proximidade com o agricultor. Diferente de uma indústria convencional, as cooperativas já possuem uma rede pronta de lojas, agrônomos e uma relação de confiança com milhares de associados. Essa estrutura, chamada de capilaridade, facilita não apenas a entrega do produto, mas principalmente o acompanhamento técnico. Como muitos desses bioinsumos contêm organismos vivos que exigem cuidados especiais com temperatura e aplicação, ter um especialista da cooperativa visitando a lavoura garante que a tecnologia funcione corretamente e traga o resultado esperado no campo.

O uso de bioinsumos garante uma redução imediata nos custos de produção?

Nem sempre o retorno financeiro vem de gastar menos dinheiro na compra dos insumos. Em alguns casos, como na cultura da soja, as bactérias podem substituir totalmente o fertilizante nitrogenado, gerando economia real. No entanto, em outras situações, os biológicos entram como um investimento adicional para melhorar o controle de pragas que os químicos sozinhos já não resolvem bem. O foco dos produtores tem sido o custo-benefício e o aumento da produtividade. Ao colher mais sacas por hectare com um manejo eficiente, o agricultor melhora sua margem de lucro e fica menos dependente das variações de preço do mercado.

Como funciona o acompanhamento técnico para garantir a eficácia desses produtos?

A aplicação de biológicos exige planejamento e análise do histórico de cada propriedade. Os agrônomos avaliam as condições do solo, o tipo de praga e até o clima antes de indicar o produto. Como são organismos vivos, erros na dose ou no momento da aplicação podem anular os benefícios. Por isso, as cooperativas investem em assistência técnica para orientar o produtor sobre as melhores práticas. O objetivo é que o agricultor enxergue o resultado na prática, gerando segurança para substituir gradualmente os químicos por soluções biológicas que são produzidas perto de sua fazenda e chegam sempre frescas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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