
O cooperativismo agroindustrial está transformando a realidade do campo no Oeste do Paraná, gerando quase 80 mil empregos diretos e criando viabilidade econômica para pequenas propriedades rurais. Esse movimento atrai mão de obra qualificada e incentiva o retorno de jovens universitários às terras da família, revertendo a lógica histórica do êxodo rural por meio da tecnologia e gestão eficiente.
Como o modelo de cooperativas consegue evitar que pequenos produtores vendam suas terras?
No Paraná, onde a grande maioria dos imóveis rurais possui menos de 100 hectares, a competição com a produção em larga escala seria inviável sem uma rede de apoio. As cooperativas funcionam como um escudo e uma mola econômica, permitindo que o pequeno agricultor ganhe força na negociação e tenha acesso a tecnologias de ponta. Ao aglutinar forças, os produtores conseguem diversificar suas atividades, garantindo renda durante todo o ano e não apenas no período das safras de grãos. Isso cria estabilidade financeira, tornando a permanência na terra uma escolha lucrativa e segura.
Qual é o impacto direto do cooperativismo na qualidade de vida das cidades do interior?
O exemplo de Palotina ilustra bem esse cenário. Mesmo sendo um município de pequeno porte, com cerca de 36 mil habitantes e longe de grandes centros urbanos, a cidade apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano elevado e uma renda per capita 50% superior à média nacional. Isso acontece porque a riqueza gerada pela atividade rural não sai da região; ela circula localmente, dinamizando o comércio e os serviços. O cooperativismo cria um ciclo virtuoso de gestão profissional que extravasa os limites das fazendas e melhora a infraestrutura e o bem-estar de toda a comunidade local.
De que forma a tecnologia mudou a visão dos jovens sobre o trabalho na agricultura?
Antigamente, cursar uma faculdade era o passaporte para fugir do trabalho pesado no campo. Hoje, a realidade é inversa: máquinas modernas e sistemas digitais substituíram o esforço braçal, exigindo profissionais com alta capacidade técnica. Os jovens que retornam às propriedades se enxergam como empreendedores rurais e gestores de negócios, aplicando conhecimentos de administração, agronomia e tecnologia da informação. Eles buscam propósito e desenvolvimento pessoal em um ambiente em rápida transformação, onde a gestão estratégica é tão fundamental quanto saber plantar e colher.
Como as famílias estão se preparando para passar o bastão para as próximas gerações?
A sucessão familiar deixou de ser um processo improvisado para se tornar planejado. Cooperativas como a C.Vale oferecem trilhas de desenvolvimento que acompanham filhos de associados desde os oito anos de idade, abordando temas como inteligência emocional e valorização rural. Na prática, famílias têm criado holdings familiares para organizar o patrimônio e definir papéis claros entre os herdeiros. O desafio é manter a comunicação aberta para que os novos gestores respeitem o legado dos pais, enquanto implementam a modernização necessária para atender às novas exigências fiscais e digitais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Marcos Tosi é jornalista e publicitário formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Acumula experiência em TV, rádio, impresso e portais. Iniciou a carreira no jornal “O Século”, na África do Sul, e teve passagens pela rede de televisão CNT, rádio CBN, Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) e Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR). Desde 2017 está na Gazeta do Povo, onde coordenou as editorias de Paraná, Economia e Agronegócio. Atualmente, apresenta os programas Última Análise e Ouça Essa, no canal do YouTube da Gazeta do Povo.



