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A ciência confirma: fórmula da “cebola energética” é uma fraude

Trecho do vídeo “educativo”: a idéia é interessante, mas experiência não funciona | Reprodução
Trecho do vídeo “educativo”: a idéia é interessante, mas experiência não funciona (Foto: Reprodução)

Londres - Ensopar uma cebola em isotônico para carregar seu iPod? Ninguém inventaria uma maluquice dessas... Ou então é mais uma daquelas cascatas que as pessoas postam no You Tube.

Primeiro a história apareceu num vídeo circulando na internet (você pode encontrá-lo em http://www.youtube.com/watch?v=GfPJeDssBOM), que proclamava uma descoberta revolucionária. Imagine-se preparando as malas para uma viagem de fim de semana e guardando na mochila cebolas em vez de pilhas – pobre de quem ficar ao seu lado no ônibus. Depois veio o boato de que um balconista de supermercado no Reino Unido conseguiu carregar seu mp3 player por uma hora desta maneira. Mas funciona mesmo?

Seguindo as instruções do vídeo, eu comprei uma cebola grande, fiz nela dois buracos e a mergulhei em uma tigela de isotônico. A experiência me lembrou vagamente daquelas aulas de química na escola, em que a gente espetava uma chapa de zinco e uma moeda de cobre em um limão e com isso gerava uma modesta corrente elétrica. Desta vez, no entanto, o cheiro da cebola misturado com o da bebida isotônica (morango e frutas tropicais) foi o bastante para me deixar enjoado. E o iPod definitivamente recusou-se a ligar.

"A ciência por trás da idéia não é ruim", diz Jon Edwards, da Real Sociedade de Química. "Você pode gerar uma corrente elétrica a partir de vegetais, mas o vídeo é uma farsa." Ele explica que a engenhoca não funciona porque você precisaria de dois eletrodos – como a chapa de zinco e a moeda de cobre na experiência do limão – para que ocorresse uma reação e houvesse uma razão para haver fluxo de energia.

Cientistas da Universidade de Cambridge fizeram sua própria versão da experiência, usando lâminas de cobre e zinco e uma salada de frutas que incluía laranjas e maçãs. Mas mesmo depois de cortar o cabo USB do iPod, o teste falhou em gerar eletricidade suficiente para carregar o aparelho. Com uma Kombi repleta de frutas e lâminas metálicas eles provavelmente teriam sucesso, mas – como aponta Charles Tracy, do Instituto de Física da universidade –, se a idéia é buscar uma alternativa "verde" de energia, talvez seja melhor recarregar o iPod a partir de painéis solares.

Tradução: Franco Iacomini

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