
Ousadia é isso: três meses depois de lançar o Kindle 2, segunda geração de seu leitor de livros eletrônicos, a Amazon pôs à venda 12 dias atrás uma nova versão do aparelho. O Kindle DX (Deluxe) tem tela maior 9,7 polegadas, contra 6 do modelo anterior e capacidade para armazenar algo como 3.500 obras. Embora os dispositivos dedicados à leitura de e-books não sejam exatamente uma novidade (há aparelhos do gênero disponíveis desde fins da década de 90), o sucesso do Kindle marca uma mudança. Tanto que há várias outras máquinas chegando ou prestes a dar as caras no mercado.
O novo e-reader da Amazon (ainda) não é o dispositivo definitivo que, na visão dos profetas eletrônicos, virá a substituir o papel. Mas apresenta um modelo de negócios para o mundo impresso sobreviver no futuro digital. Sua gênese está ligada a um investimento feito pela Amazon em 2005. Naquele ano a empresa comprou por um valor não revelado a MobiPocket, companhia francesa de software para smartphones e PDAs, responsável pelo desenvolvimento de um dos primeiros padrões de formato para livros eletrônicos. Com o lançamento do Kindle, em novembro de 2007, a companhia de Jeff Bezos montou uma bem sucedida estratégia que combina a venda on-line dos e-books com um aparelho desenhado para tanto, com acesso à internet sem fio. "Queremos ir além do livro físico", disse Bezos, presidente da Amazon, à época do lançamento. "Se você estiver na cama ou ou em uma viagem de trem e pensar em um livro, você pode tê-lo nas mãos em menos de 60 segundos. Não é preciso ter computador, você faz a compra diretamente pelo aparelho." Pena que, até agora, as vendas estejam restritas ao mercado americano.
Uma das explicações para a pressa da Amazon em lançar o Kindle DX é a possível proximidade da chegada ao mercado de concorrentes de peso. Nos Estados Unidos, a Hearst Corporation, empresa que edita jornais e revistas, está investindo no desenvolvimento de um e-reader em parceria com a FirstPaper. De acordo com reportagem publicada pelo "Wall Street Journal", o software deste novo aparelho faria o download de publicações de maneira que as páginas exibidas no dispositivo mantivessem a publicidade. A falta de espaço publicitário é uma das principais críticas que empresas editoriais fazem ao novo Kindle.
Outra empresa que desenvolve uma alternativa ao Kindle é a PlasticLogic, que já tem acordos com importantes jornais dos EUA, como o "USA Today" e o "Financial Times".



