Poucos episódios mexeram tanto com os brios de um país quanto o processo jurídico do mensalão. Ao longo dos últimos meses, este assunto vem disputando espaço na mídia nacional, com concorrentes fortes no cotidiano brasileiro como o final de uma novela, o primeiro e segundo turno das eleições, além de outros temas de interesse midiático nacional e internacional.
Sem entrar no mérito das penas, corruptos e corruptores, e as diversas questões jurídicas inerentes ao processo e seus principais atores, gostaria de chamar a atenção para a importância que momentos como esse têm na construção da imagem de uma nação.
Mesmo parecendo distante, assuntos como o julgamento do mensalão possuem uma estreita conexão com temas importantes para a competitividade do país, como o empreendedorismo e sustentabilidade. Como referência, menciono um estudo recente, apresentado no encontro da Rede Latino Americano do PRME Principles for Responsible Management Education ou Princípios para Educação Empresarial Responsável - programa educacional da ONU, do qual fazemos parte desde 2007.
O material apresentou a relação existente entre três categorias: o nível de excelência educacional, virtudes cívicas e transparência nas instituições públicas em diversos países europeus. Entre os piores colocados nestes quesitos, ficaram Grécia, Portugal, Espanha e Itália que, não por acaso, são os que hoje passam por um desastroso momento econômico, com índices altíssimos de desemprego e uma debilidade do sistema de gestão pública no enfrentamento dos desafios sócio econômicos impostos pela União Europeia na negociação dos programas de apoio à salvação/recuperação de sua economia.
Por isso, todo esforço, no sentido de minimizar o sentimento de impunidade e trazer mais transparência e valores éticos ao processo democrático brasileiro se apresenta como uma contribuição para a construção de um futuro mais próspero, onde a estabilidade econômica e a atratividade de investimento terão um ambiente favorável. Assim, o julgamento do mensalão é uma das muitas etapas que o Brasil precisa ultrapassar na busca de combater um de nossos problemas mais crônicos, o da corrupção, e assim não ter a mesma sorte dos países europeus.



