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Entrevista

“A internet será tão comum quanto eletricidade”

Thiago Dória, jornalista

Dória: uso de mídias sociais também tem componente econômico | Divulgação
Dória: uso de mídias sociais também tem componente econômico (Foto: Divulgação)

O jornalista, Thiago Dória, 29 anos, é blogueiro de longa data. Desde 2003 tem um blog pessoal (tiagodoria.com.br) sobre cybercultura, tecnologia e mídia. Hoje é considerado um dos especialistas nesses assuntos é também tra­­balha na televisão, como co­­lunista do Notícias MTV. Para ele, o futuro da internet é ser algo tão normal em nosso cotidiano que nem será notado. "A longo pra­­zo, internet será tão comum quanto eletricidade", explica. Des­­­­contraído, nessa entrevista ele fala um pouco sobre jornalismo digital, mídiais sociais, blogs e essa bagunça de informações que chamamos de internet.

Em que ponto a gente está nessa história toda de internet?

Estamos em evolução. No país, há muita gente começando a usar o computador, a banda larga está começando a crescer agora e o acesso via celular vem ga­­nhan­­do espaço, com a tecnologia 3G. É um começo. Já em relação ao uso da internet, eu acho que a gente tem vários níveis. Desde pessoas experientes até aquelas que estão começando. No entanto, o que mais a gente vê é a utilização das redes sociais e um forte uso da tecnologia pelo lado econômico, para gastar menos em alguma coisa. As pessoas compram um computador porque tem um programa, como o Skype, pelo qual elas po­­dem fa­­­lar no "telefone" sem pagar nada.

Por que as redes sociais se de­­ram tão bem aqui no país, a exem­­plo do Orkut?

Eu não sei se elas se deram tão bem, mas têm um número grande de usuários, com certeza. Os resultados financeiros disso é que ainda é não apareceram. Mas acho que é porque o brasileiro é assim, informal, gosta de conversar e ter contato. Nós valorizamos muito as relações pessoais.

No início do uso do computador se dizia que ele poderia tornar as relações mais frias e afastar as pessoas. Mas hoje as redes sociais estão, pelo contrário, aproximando grupos. A previsão não se concoretizou?

Acho que as redes tanto promovem esse encontro quanto atrapalham, muitas vezes. Só que não como se pensava antes. A gente vê casos de namorados que se separam por causa do orkut, por exemplo. Tem os dois lados, na verdade.

E a questão dos blogs? Há pouco tempo eram um fenômeno. Mas recentemente várias pessoas, entre elas você, decretaram que os eles estavam mortos. Como é que eles, e os blogueiros, sobrevivem hoje?

Aqui no país, em geral, quem es­­tá ganhando dinheiro com blog é porque está fazendo parcerias de conteúdo, é ligado a um portal ou é jornalista que trabalha na área. São pouquíssimos os que estão vivendo de blog hoje. Na verdade, o Brasil já está um pouco saturado de blogs. Eles não são mais novidade e estão se tornando cada vez mais uma coisa corriqueira. Você acha o formato blog em portais, sites, en­­fim, todo o lu­­gar já está usando es­­sa ferramenta.

Os blogs, as redes sociais, interferiram muito no jornalismo e no jornalismo digital que se faz hoje?

Acho que ainda estão influenciando, mas aos poucos. Não é muito forte. Em especial em nosso país está bem lento ainda, por vários fatores. A mentalidade aqui é mais conservadora e é um mercado de mídia é menos competitivo do que nos Estados Unidos, por exemplo. A diferença de audiência entre duas tevês abertas nos EUA é muito pequena. Então, se faz todo o possível, sempre inovando, melhorando, para se manter esse telespectador.

E quais as perspectivas para a in­­ternet?

A longo prazo, acho que a internet vai ser igual a eletricidade: uma coisa tão normal que a gente nem percebe que existe. Acho que é isso que melhor nossa futura relação com ela. Já para o jornalismo, não há nenhuma fórmula pronta. Um caminho seria os veículos abraçarem a internet, transformarem o site do jornal em uma plataforma online de conteúdo. Começar a trabalhar a tecnologia, as ferramentas e o conteúdo de forma que o próprio público possa criar, interagir, desenolver aplicativos em torno do site do jornal. Enfim, é dar um passo a mais e abraçar o meio online.

E para os blogueiros, há futuro?

Tem espaço para todo mundo, mas tem que ter relevância. Assim como em qualquer meio. Primar muito mais pela qualidade do que pela quantidade. Para construir isso há uma série de fatores. Bom conteúdo, ter boas fontes, bons textos, enfim, não difere muito do jornalismo tradicional. Tem certas coisas que não mudam.

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