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Comportamento

A internet tomou conta da cultura

Para especialistas, a história da música e da literatura está ligada à busca de formas mais acessíveis e disseminadas de consumo. E a rede fornece isso quase sempre de graça

O Chinese Theater de Los Angeles, um ícone da história do cinema, onde fica a Calçada da Fama: novo modo de consumir cultura afasta as pessoas das salas de exibição e as conecta à internet | Carol Highsmith/Library of Congress
O Chinese Theater de Los Angeles, um ícone da história do cinema, onde fica a Calçada da Fama: novo modo de consumir cultura afasta as pessoas das salas de exibição e as conecta à internet (Foto: Carol Highsmith/Library of Congress)
Conheça alguns pontos de acesso à cultura |

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Conheça alguns pontos de acesso à cultura

São Paulo - Hoje, basta um computador ligado à internet para ter acesso a praticamente qualquer filme, livro ou música, muitas vezes de forma ilegal. Logo mais não será necessário baixar nada para ter tudo isso quando e onde quiser. E, o melhor, dentro da lei e, muitas vezes, grátis.

Cortesia da nu­­vem. Mas afinal o que é isso? No mundo pré-internet, tudo devia estar instalado ou armazenado no computador. Com a nuvem, tudo é acessado via internet."A cultura já está online. Qualquer mídia pode ser digitalizada com vantagens econômicas para a indústria. O que vemos agora, é a internet se tornando o principal suporte de acesso à cultura e ao entretenimento", observa o es­­tudioso norte-americano Ni­­cho­­las Carr, autor de A Grande Mu­­dança (editora Landscape), em que defende que a nuvem está mudando a sociedade de forma tão profunda quanto a energia elétrica nos últimos cem anos.

Antes disso é preciso entender como chegamos aqui. Se desde a virada do século ninguém dava mais muita bola para o CD, porque todos queriam ter o seu iPod lotado de músicas; o sucesso do aparelho, no seu conceito original, só foi possível porque a era do compartilhamento de músicas na rede já havia se disseminado.

O público estava, portanto, sedento por um dispositivo em que pudesse colocar as suas músicas e levá-las por aí – nesse ponto, o iPod deve, e muito, ao walkman, que mais de vinte anos antes tornou a música portátil. Enfim, a história da música como produto, do fonógrafo até hoje, pode ser resumida como uma busca por ser cada vez mais acessível e disseminada. A literatura também tem um quê de semelhante. Afial, o que é o livro, senão o dispositivo portátil por excelência?

Enquanto a música transcendeu o suporte há tempos, só agora os livros começam a se livrar do papel. E os filmes es­­tão no meio do caminho. E é por isso que a oferta de músicas por streaming, na nuvem, é maior do que a de livros e filmes.

Os efeitos dessa mudança já podem ser observados na fatia do público mais ávida por música. Tanto nos EUA como no Reino Unido, duas pesquisas diferentes chegaram à mesma conclusão. O consumo de música em sites de streaming aumenta, principalmente entre jo­­vens, ao mesmo tempo em que o uso regular de sites de compartilhamento de arquivos cai.

Outra evidência da consolidação da nuvem está nos estúdios de cinema. Apesar de viveram às turras com serviços de streaming de filmes, como o Netflix, todos os grandes estúdios de cinema trabalham em serviços baseados na nuvem. A Disney (que é grande acionista da Apple) desenvolve o Keychest, tecnologia que permitirá ao público pagar um preço único pelo acesso permanente a um filme em diferentes plataformas ou aparelhos com acesso a internet, como computador, vídeo game, celulares, etc.

Na literatura, as coisas ainda andam mais devagar. "Spoti­­fy, Hulu, Goo­gle Books, etc. são todos bons exemplos, mas nenhum deles é completo o suficiente. Alguém (adivinhe quem?) precisa se dedicar e juntar tudo isso sob um grande guarda-chuva, com uma única interface e um único lugar em que as pessoas possam administrar todo o seu conteúdo, livros, filmes, músicas, etc. Atualmente isto é tudo muito fragmentado e essas empresas estão trabalhando em produtos isolados", afirmou o Fake Steve Jobs, personagem criado pelo jornalista norte-americano especializado em mídia e tec­­nologia Dan Lyons, para satirizar o verdadeiro Jobs, presidente da Apple. É, ele também parece saber muito bem o que diz. Não por acaso, du­­rante um bom tempo hou­­ve quem achasse até no Vale do Silício que o Fa­­ke (falso, em in­­glês) era uma brincadeira do original.

E o verdadeiro Jobs, o que será que está tramando?

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