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Mercado

A locadora está a um clique de distância

Está com medo de sair de casa e pegar gripe? Então experimente alugar um vídeo pela internet

Edigar, da FastCine, com alguns dos DVDs que aluga: empresa, que começou este ano, conta com 5 mil títulos para entrega | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
Edigar, da FastCine, com alguns dos DVDs que aluga: empresa, que começou este ano, conta com 5 mil títulos para entrega (Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)

É uma tradição: sexta-feira e sá­­­bado à noite as locadoras se enchem, e seus clientes disputam nas prateleiras os filmes a que querem assistir. Para aqueles que gostam de cinema, mas não se animam para sair de ca­­sa, uma alternativa já disponível em Curitiba é a locação on-line, que permite ao cliente es­­colher os títulos pela internet, e um motoboy leva e busca os DVDs ou Blu-rays em casa. O serviço já era oferecido no país há alguns anos, mas de forma bastante tímida. Nos últimos me­­ses, tem crescido a ponto de, em dezembro do ano passado, até a gigante Blockbuster ter entrado nesse nicho. Com o pânico gerado pela gripe A, as locadoras on- line têm tudo para ganhar mais adeptos.

Daniel Topel, executivo-chefe da NetMovies, locadora on-li­ne criada em 2006 e que hoje aten­­­­de mais de 60 cidades, quan­­­­tifica essa expansão em seu negócio: "Atingimos a marca de 5 milhões de locações em 2008, contra os 500 mil locados no ano anterior. Para 2009, pretendemos dobrar esse número".

O empreendedor associa a expansão do serviço ao fato de os clientes estarem mais exigentes – não aceitam pegar trânsito, pagar multa, ter prazo de de­­­volução – e mais atentos aos serviços on-line. "A tendência é buscar filmes onde é mais fácil e barato. Até pouco tempo atrás, a solução que melhor atendia es­­sa demanda eram os filmes pi­­ratas", diz. A contra-resposta da empresa foi oferecer esse serviço com um preço competitivo até para a pirataria e a comodidade de não precisar sair de casa.

Com a concorrência da pirataria e agora também das locadoras on line, Topel acredita que o mercado de locações convencionais deve continuar en­­colhendo, mas que não será ex­­tinto. "Locadora on line é um negócio muito diferente de lo­­cadora física, necessita de muita tecnologia e escala. Não acredito na grande multiplicação de locadoras on line, mas sim na consolidação de algumas poucas empresas com serviço altamente diferenciado".

O empresário curitibano Edigar Corrêa, sócio da FastCine, aposta na adaptação das locadoras convencionais a esta nova realidade. "A locadora tradicional como a gente conhece em pouco tempo não vai ser viável, principalmente por causa da pirataria. Como o Blu-ray não pode ser pirateado, ele vai dar uma sobrevida ao negócio, mas é preciso oferecer mais comodidade ao cliente, como a entrega em casa", propõe.

Empresas curitibanas

Não só empresas de cobertura interestadual, como a NetMo­vies e a Blockbuster, disputam esse nicho de mercado. A Fast­Cine, locadora on-line caçula de Curitiba, começou suas atividades no início deste ano. Seus empreendedores observaram a existência dessa tendência nos Estados Unidos e acreditaram que havia espaço para um iniciativa assim na capital paranaense. Hoje conta com 5 mil títulos disponíveis aos seus 250 clien­­tes cadastrados. Um dos sócios, Edigar Corrêa, garante que pedidos feitos até as 17h são atendidos no mesmo dia.

Também resultado de uma ini­­ciativa curitibana, a Lig Li­­vros, empresa que há 20 anos lo­­ca livros para a região, também incluiu em seu catálogo al­­guns títulos de DVDs. Hoje são quase mil títulos, mas a proprietária, Lígia Maldonado, enfatiza que este não é o seu "carro-chefe". Enquanto cerca de 300 li­­vros são alugados por mês, apenas 50 DVDs têm saída.

"A ideia foi apenas para oferecer à clientela já fiel a possibilidade de mais um serviço. Ge­­ralmente, quem gosta de ler também gosta de assistir a filmes e eu tenho muitos clientes idosos para quem esse serviço potencialmente poderia interessar bastante", diz Lígia. Mas a empresária não acredita que essa expansão da Lig Livros te­­nha sido bem-sucedida, porque, além dos gastos com a entrega, custa caro para adquirir os vídeos e eles deixam de ser procurados em pouco tempo.

"As locadoras de filmes existem em quantidade enorme pa­­ra todos os bolso e gostos. Entrar no mercado para efetivamente ter sucesso nessa área não é fá­­cil", admite. Mesmo sem o re­­torno do investimento, Lígia mantém o aluguel de filmes por um gosto pessoal por cinema. Cor­­rêa, da FastCine, confirma que a porcentagem de lucros é baixa, mas acredita na viabilidade e na possibilidade de ex­­pansão do negócio. Para manter preços atrativos sem comprometer o lucro, a FastCine con­cen­­tra as entregas à noite, as­­sim, o motoboy segue uma rota já planejada.

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