Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Câmbio

A ordem é quitar dívidas em dólar

Com eleições presidenciais e compras do Tesouro, analistas apostam em alta da moeda norte-americana

Nas casas de câmbio, o dólar turismo já subiu 4% desde o início do ano e atualmente é negociado a R$ 1,92 | Joel Nito /AFP
Nas casas de câmbio, o dólar turismo já subiu 4% desde o início do ano e atualmente é negociado a R$ 1,92 (Foto: Joel Nito /AFP)

Quem tem conta em dólar a ser paga ainda este ano deve ficar atento ao novo cenário de oscilação do câmbio. Após desvalorizar-se em cerca de 25% no ano passado, em 2010 a moeda norte-americana inverteu a tendência de estabilidade e já avançou cerca de 4% apenas nos primeiros quinze dias úteis de janeiro – de R$ 1,74 passou para R$ 1,81. Portanto, para quem está com viagem marcada, tem filhos estudando fora, dívidas no cartão de crédito internacional ou investimentos de fora programados para a empresa, a recomendação passou a ser adiantar o máximo possível o pagamento de pendências em moeda estrangeira. O objetivo é não ficar completamente dependente do viés de alta que se desenha para o câmbio.Alguns motivos justificam a nova tendência, desde o saldo cada vez mais apertado da balança comercial até a instabilidade política em ano eleitoral, que afasta os investimentos estrangeiros do país. Os dois fatores diminuem a presença do dólar no mercado nacional. No entanto, a grande novidade para a mudança é a entrada do Tesouro Nacional como agente direto do mercado de câmbio, segundo o professor de economia financeira da Universidade Federal do Paraná (UFPR) José Guilherme Vieira.

No fim de dezembro, um decreto publicado no Diário Oficial regulamentou o Fundo Soberano Nacional (FSB), uma espécie de poupança do país controlada pelo governo. Quem deve gerir esse "cofre" é o Tesouro, que passará a fazer compras diretas no mercado de moedas. "Na prática, os agentes de câmbio se assustaram com a entrada do Tesouro, porque ele é um player respeitável, cujos movimentos podem causar grande impacto nos resultados diários. É um agente com capacidade de aporte praticamente sem limite para comprar dólares quando quiser", explica Vieira.

Agente disfarçado

Usando o argumento de abastecer o Fundo Soberano, o Tesouro aparece no cenário como um agente disfarçado do governo, capaz de controlar a taxa de câmbio por operações de compra e venda da moeda estrangeira, ao mesmo tempo em que não fere diretamente a política de câmbio flutuante adotada pelo Banco Central. "Como é uma estratégia bastante indiscreta de interferir no dólar, o mercado identificou isso e se antecipou ao início das operações do Tesouro", completa. De maneira mais simplista, alguns participantes do mercado de moedas se retiraram das operações, e os que sobraram não devem se arriscar a entrar com muita força porque, caso a taxa de câmbio baixe muito, um agente do calibre do Tesouro Nacional pode recuperar essa diferença com facilidade.

Enquanto o ano de 2010 deve ser marcado por mais movimentos especulativos, a perspectiva de valorização do real em médio e longo prazo está mantida, segundo o professor de economia financeira. Isso porque o cenário de investimentos no horizonte permanecem – Copa do Mundo, Olimpíadas e a exploração do pré-sal serão motivo de uma série de aportes financeiros do exterior "Vários investimentos já começaram a ser articulados. Em algum momento destas obras o dólar vai dominar o nosso mercado, e a moeda nacional vai se valorizar. Mas só depois de 2010", diz Vieira.

* * * * *Interatividade

Você tem dívida em dólar ou planeja assumir algum compromisso financeiro em moeda estrangeira neste ano?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.