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Ações de emergentes ganham fãs em Wall Street

Tal mudança não vem sem riscos, uma vez que os mercados emergentes são mais notadamente mais voláteis

O estrategista-chefe de investimentos da holding financeira Northern Trust (NTRS), Jim McDonald, fez um grande call no começo do mês, de que era tempo de reduzir posições nos Estados Unidos e fazer mais dinheiro com ações de mercados emergentes. O executivo está aumentando a fatia da carteira de US$ 12 bilhões de 7% para 11% e reduzindo a exposição a ações e bônus corporativos dos EUA.

"Há momentos de tirar o dinheiro de negócios que funcionaram bem e este é um deles", disse McDonald, que tomou a decisão há duas semanas e descreve o movimento como uma mudança "significativa" para sua empresa.

O estrategista-chefe da Prudential International Investment Advisers, John Praveen também aposta nos emergentes. "A aversão a risco diminuiu e definitivamente isso é positivo para os mercados emergentes", disse.

Tal mudança não vem sem riscos, uma vez que os mercados emergentes são mais notadamente mais voláteis. Mas alguns investidores sentem que o momento de investir nesses mercados é agora.

Desde a crise financeira de 2008, os choques econômicos globais como a crise da dívida na zona do euro e a desaceleração na China, serviram para convencer muitos investidores de tirar dinheiro da Ásia e colocar no porto seguro do mercado dos Estados Unidos.

Como resultado, o índice MSCI Emerging Markets, uma referência para as ações de 21 países, incluindo o Brasil, Rússia e Malásia segue 25% abaixo dos picos de 2007, mesmo com o índice S&P 500 flertando com novos recordes. O S&P 500 subiu 14% no acumulado deste ano. Em comparação, o índice Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 6,5% este ano e a Bovespa, do Brasil, subiu apenas 3,8%. A bolsa Merval, da Argentina, perdeu 1,4% nos primeiros 10 meses do ano, enquanto o Shanghai Composite, da China, caiu 3,2%.

No verão no Hemisfério Norte (junho a setembro) deste ano, Praveen recomendou que seus clientes adquirissem ações de emergentes, inspirado nos esforços dos bancos centrais da Europa e EUA de manter um pisco para os mercados acionários. Por exemplo, em julho, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, prometeu fazer "o que fosse preciso" para evitar o colapso da zona do euro, enquanto oficiais do Federal Reserve sinalizaram que estavam prontos para adotar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo, o que fizeram em meados de setembro.

Não está claro até quando essa mudança dos investidores irá durar. Até agora, os investidores globais colocaram um valor líquido de US$ 23 bilhões em fundos de ações de mercados emergentes, sendo que US$ 9 bilhões no início de agosto, de acordo com dados da EPFR Global. No ano passado, os investidores tiraram US$ 34 bilhões dos fundos de ações de mercados emergentes. Ao mesmo tempo, investidores tiraram um líquido de US$ 7,1 bilhões dos fundos de ações dos EUA este ano, sendo que metade foi no início de agosto.

No entanto, mesmo esses investidores que dizem que agora é a hora de retornar aos emergentes, alertam que é preciso ser cauteloso. Um fracasso dos líderes europeus em mostrar progresso real nos esforços de atenuar a crise ou notícias mais negativas vindas da China poderiam de novo afugentar os investidores das bolsas de emergentes.

Além disso, a incerteza com a eleição presidencial nos EUA e o surgimento de uma batalha no Congresso em torno do déficit fiscal são riscos substanciais para o crescimento global.

"Ao olhar para o mundo dos investimentos, fica claro que as águas nos mercados emergentes estão bem mais favoráveis do que há alguns anos", disse Connor Wilson, que gerencia o fundo Global Opportunities na Thornburg Capital Management, um fundo mútuo em Santa Fé, de cerca de US$ 81 bilhões em ativos. "Ciclicamente, os mercados emergentes ficam sob pressão, mas estruturalmente, a estória não mudou", completou Wilson. As informações são da Dow Jones.

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