Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
imóveis

Alta de preços sugere bolha em Londrina

O preço médio do metro quadrado residencial usado em Londrina subiu 97,48% em cinco anos, segundo dados do Sindicato de Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi), passando de R$ 1.174,98 em 2009 para R$ 2.320,48 em 2013. Nos imóveis comerciais a alta foi ainda maior: 136,30%, de R$ 941,72 para R$ 2.225,29 o metro quadrado, em média. Em relação ao ano passado, a alta do preço médio do metro quadrado dos imóveis residenciais foi de 15,88%, e dos imóveis comerciais, 7,51%.

No entanto, nos últimos cinco anos o rendimento dos salários não acompanharam esse crescimento. O acumulado do INPC, índice de inflação utilizado no reajuste salarial, foi de apenas 37,77%, de janeiro de 2008 até setembro de 2013. No ano passado, o salário do trabalhador londrinense foi, em média, de R$ 1.800,49, e de R$ 1.605,48, em 2011, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/ER-PR).

Para a professora de economia Clévia França, da Faculdade Arthur Thomas, a bolha no mercado imobiliário londrinense está se instalando. "A bolha está instalada quando o consumidor a enxerga, e ainda tem muita gente alienada", diz. Clévia conta que os integrantes desse mercado já sentiram a proximidade de uma crise. "Os investidores estão esperando. Vai fazer um bom negócio quem tiver dinheiro quando o preço começar a cair", diz.

"Não tem ninguém que não esteja apreensivo com o mercado imobiliário", diz o professor Marcos Rambalducci, do campus Londrina da UTFPR. Ele questiona se o mercado ainda é capaz de absorver tantos imóveis. "Se continuar a crescer a oferta, até quando o mercado suporta?", pergunta.

Nobel

O tema das bolhas tem recebido mais atenção nos últimos dias, devido ao prêmio Nobel de Economia, concedido na semana passada a um trio de economistas com estudos sobre o comportamento dos preços de ativos. Um deles, Robert Shiller, da universidade americana de Yale, chegou a afirmar, no mês passado, que o Brasil pode estar vivendo uma bolha imobiliária parecida com a que se formou nos Estados Unidos até 2008. A justificativa para esta tese, segundo ele, é a alta dos preços, aparentemente sem explicação. No atual cenário, Shiller disse que não investiria no mercado brasileiro.

Representantes do setor da construção civil afastam a ideia. Na opinião do presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina (Sincil), Marco Antonio Bacarin, é prematuro falar sobre de crise. Bacarin diz que o mercado londrinense está aquecido em razão da evolução no poder de compra e maior acesso ao crédito. "Até 2006, as pessoas não conseguiam comprar. Com as mudanças na oferta de crédito, aumento da renda, taxas de juros mais baratas e o prazo para pagamento, que passou de 15 anos para 30 anos, diminuíram o valor das prestações, facilitando a compra."

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.