Nove milhões de latino-americanos vão cair na pobreza em 2009 por causa da crise financeira mundial, segundo previsão do Panorama Social da América Latina 2009, apresentado nesta quinta-feira (19) pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe).
A previsão é de que a pobreza na região aumentará 1,1% e a indigência crescerá 0,8% nesse ano, comparadas aos números de 2008. O número de pobres vai passar de 180 milhões para 189 milhões de pessoas, representando 34,1% da população, enquanto a indigência passará de 71 milhões para 76 milhões (13,7% da população).
O documento apresentado pela Cepal ressalta que "as cifras indicam uma mudança na tendência de redução da pobreza que a região vinha registrando nos últimos anos". Os novos pobres equivalem a quase um quarto da população de 41 milhões de pessoas que tinham superado a pobreza entre 2002 e 2008, graças ao maior crescimento econômico, expansão do gasto social e melhoras na distribuição de renda, segundo o estudo.
A secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, disse que é urgente a necessidade de um novo sistema de proteção social combinado com estratégias de longo prazo para a América Latina.
O estudo destaca que o aumento da pobreza é heterogêneo entre os 18 países analisados. Os menores níveis de pobreza se registram na Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica, com taxas inferiores a 22% e taxas de indigência entre 3% e 7%. Brasil, Panamá e Venezuela foram catalogados no grupo de países de pobreza média-baixa com níveis que não ultrapassam 30%. No grupo de pobreza média-alta estão Colômbia, Equador, México, El Salvador, Peru e República Dominicana, com índices entre 35% e 48%.
Já Bolívia, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Paraguai se encontram entre os países com as mais altas taxas de pobreza e indigência, as quais superam 50% e 30%, respectivamente.
A Cepal ressalta que a população latino-americana está envelhecendo e se estima que, por volta de 2035, a porcentagem da população menor de 14 anos e maior de 60 será similar, revertendo a estrutura demográfica de 40 anos, quando a maioria da população latino-americana era jovem.
Para completar, o documento diz que em meados deste século se duplicará o número de adultos maiores dependentes por razões de saúde e que vão requerer cuidados. Consequentemente, haverá problemas sérios em termos de demandas sociais, recursos disponíveis e políticas públicas.
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