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Taxa de juros

Analistas sinalizam ao BC que é desnecessário aumentar Selic

A última reunião de uma série de três que a diretoria do Banco Central manteve nesta quinta-feira em São Paulo com analistas do mercado foi, de acordo com fontes que estiveram presente ao encontro, o próprio retrato do atual cenário econômico mundial. Ou seja, uma reunião marcada pelas incertezas. "Mesmo quem tem uma posição, ao contrário das vezes anteriores, não se sentiam à vontade para defendê-la com unhas e dentes", observou uma das fontes, em entrevista à Agência Estado.

O que ficou claro para um outro participante da reunião, a que teve início às 15 horas, foi a sinalização do grupo de analistas para os representantes do BC que, mesmo diante de tantos solavancos na economia, não há mais necessidade de se aumentar a taxa básica de juros, a Selic , com o pretexto de conter a taxa de inflação. "Gostei da reunião porque as expectativas para 2009 caminham no sentido de o Produto Interno Bruto (PIB) apresentar um crescimento de 2,00% a 3,00% e a inflação fechar entre 4,50% e 6,00%", disse um economista.

Para este profissional, o que os analistas expuseram para os representantes do BC - o presidente Henrique Meirelles, o diretor de Política Econômica, Mario Mesquita, o diretor de Política Monetária, Mário Torós, e o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes, entre outros - é que o grosso da depreciação cambial já foi repassado para os preços e que a coisa financeira tende a se manter como está. "Isso significa dizer que, se não vai melhorar, não vai também piorar", diz a fonte. Ela acrescenta que, para o grupo de economistas que participaram do encontro da tarde, a se manter o cenário de atual de 13,75% para este ano e de 13,00% para 2009, o IPCA no ano que vem deverá fechar ao redor de 6,00%.

Na avaliação de um outro economista que participou do encontro das 15 horas, o ponto central que pode resumir todo o evento é justamente a falta de consenso entre os cenários levantados pelo grupo representante do mercado, em linha com todas as incertezas do atual momento econômico-financeiro do globo. "O ponto maior é que há muita disparidade entre as visões de cada um. Há um grupo mais pessimista em relação à atividade e outros nem tanto. A mesma coisa pode ser vista sobre a inflação, com uma corrente ainda contando com pressões sobre os índices e outra avaliando que o impacto maior do câmbio pode ter ficado para trás e que as commodities manterão o alívio sobre os preços", relatou. "Mas realmente as visões permanecem bem difusas e não há consenso sobre inflação, atividade e câmbio. Enfim, há muita incerteza ainda para o ano que vem, apesar de todos concordarem que haverá uma desaceleração da economia", acrescentou.

Todavia, observou outro economista que esteve na reunião, mesmo com a dispersão entre as projeções para o próximo ano, há um certo consenso de que alguma coisa de "engraçada" só ocorrerá mesmo a partir de 2010 na economia mundial. No fundo, classificou um outro participante da reunião realizada ante, ao meio-dia, não houve discussões acaloradas desta vez porque os analistas não estão certo nem mesmo sobre seus respectivos cenários para o ano que vem. Neste encontro, estiveram representadas entre 20 e 25 instituições financeiras.

"O fato é que as pessoas estão pisando em ovos. Durante a reunião, percebi que havia por parte delas um certo receio de falar", afirmou um especialista. Ele até brincou com a situação completando que, se, normalmente, as reuniões acabam sendo determinadas pelas falas de apenas um lado, as do mercado, desta vez o encontro foi menos animado. De fato, desta vez as reuniões foram encerradas dentro de um prazo menor que das outras vezes.

As fontes ouvidas também voltaram a destacar o posicionamento do Banco Central durante a reunião. "Estava toda a turma do BC lá. Desde o Meirelles, o Mesquita e o Torós, até o Altamir e a Maria Celina (Berardinelli Arraes, diretora de Assuntos Internacionais). Mas eles ficaram do jeito que sempre participam: sem trazer nenhuma informação e ouvindo o pessoal do mercado", informou um dos analistas presentes ao encontro das 15 horas.

Depois das três reuniões realizadas nesta quinta-feira com os economista na capital paulista, o Banco Central voltará a ouvir o mercado financeiro nesta sexta-feira, dia 28, só que no Rio de Janeiro. A Agência Estado apurou que dois encontros estão previstos para acontecer no período da manhã, a partir das 10 horas.

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