Ao contrário do previsto pela Petrobras, que havia calculado que a meta da auto-suficiência na produção de petróleo brasileira seria alcançada apenas em fevereiro deste ano, o Brasil conseguiu conquistar o feito já em dezembro de 2006. A comprovação pode ser feita a partir de dados da produção nacional relativos ao mês de dezembro de 2006, divulgados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Ao longo do ano passado, foram exportados 134,3 bilhões de barris de petróleo, contra importações de 131,942 bilhões de barris. O saldo, que configura a auto-suficiência brasileira, foi de 2,394 bilhões de barris ou cerca de 6,6 mil barris por dia.
Com exclusividade para O Globo Online, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, comemorou a conquista:
- Do ponto de vista do consumo e da produção de petróleo e de derivados, o Brasil alcançou a auto-suficiência em 2006. O total que nós produzimos é ligeiramente superior ao que consumimos. Em matéria de divisas, no entanto, ainda há um pequeno déficit de aproximadamente US$ 700 milhões na balança comercial do petróleo, o menor que já tivemos. O nosso objetivo sempre foi a autosuficiência na produção, e essa nós já alcançamos. É um feito histórico - afirmou.
Até então, ao falar sobre a auto-suficiência, a Petrobras vinha considerando uma estimativa de consumo de 1,850 milhão de barris diários na média em 12 meses. Mas o fato de a empresa ter anunciado, em dezembro, uma produção média diária de 1,777 milhão de barris em 2006 - abaixo da esperada - fez o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, afirmar que a conquista seria adiada em dois meses. Na época, a Petrobras alegou problemas operacionais nas plataformas P-50 e P-34, que comprometeram sua produção.
Para o consultor da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Arlindo Charbel, dois aspectos precisam ser considerados:
- A projeção de consumo de 1,850 milhão de barris era uma suposição, feita com base no que é processado pelas refinarias. Na verdade, o consumo pode ter ficado menor que este número, já que o país não cresceu. Além disso, a substituição dos combustíveis por gás natural e por biodiesel, certamente, afetou as previsões. A única coisa que você precisa ver é se a quantidade exportada foi menor ou maior que a importada - diz, após ter feito o cruzamento das informações da ANP.
De acordo com o boletim Focus do Banco Central, no fim de 2006, analistas de mercado esperavam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tivesse uma expansão de 2,74% ano ano, contra uma previsão de alta acima de 3% feita pelo Ministério da Fazenda.
Além disso, lembra, o conceito de auto-suficiência considera também a atividade de outras companhias no Brasil.
- Embora a Petrobras seja responsável por 98% da nossa produção, a auto-suficiência não é apenas dela, e sim do país. Existem outros produtores, com cerca de 40 mil barris diários, que não podem ser desprezados - afirma.
Quando considerados apenas os derivados, o Brasil já é auto-suficiente desde 2002 - com exportações de óleo combustível, combustível para navios, gasolina A e combustível para aviões, principalmente, maior que o volume de compra de nafta petroquímica, óleo diesel, coque e GLP. Em barris equivalentes de petróleo, o saldo chega a 89 mil por dia em 2006.
No entanto, como o valor unitário das exportações é menor que o das importações, mesmo que haja auto-suficiência em volume nas duas contas (petróleo e derivados), existe um déficit de US$ 740 milhões. Em 2005, este número havia ficado negativo em US$ 1,57 bilhão.
Procurada, a Petrobras alegou não ter um porta-foz disponível para comentar o assunto, já que seus diretores passaram o dia reunidos com o Conselho de Administração da companhia.



