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Após o recuo no aumento dos impostos sobre importação de eletrônicos, o governo Lula publicou em suas redes sociais oficiais um vídeo chamando de “fake news” as repercussões negativas da medida. Em um vídeo direcionado aos “gamers”, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fala em “passar de fase” e que as notícias sobre o assunto seriam para “assustar as pessoas”.
“Alô comunidade gamer, presta atenção neste recado: não vai ter nenhum aumento de imposto (...) essa semana circularam muitas notícias falsas, vídeo, que inventa história, para assustar as pessoas”, diz Alckmin no vídeo. Ele ainda afirma que a intenção do governo seria preservar os empregos da indústria nacional.
O governo anunciou o imposto de importação sobre celulares e outros produtos de tecnologia com o objetivo de conter o avanço de itens estrangeiros e evitar o que classificou como risco de “colapso” da indústria nacional. O imposto subiria em até 7,2 pontos percentuais para cerca de 1.250 produtos.
Depois da repercussão negativa, que incluiu até o setor produtivo, argumentando sobre um impacto direto sobre investimentos em um cenário de juros elevados e desaceleração da atividade econômica, o governo anunciou via Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), da Câmara de Comércio Exterior (Camex), imposto zero para os itens.
A própria Agência Brasil, que pertence ao governo, noticiou o que, no vídeo, que abusa de efeitos gráficos típicos de jogos 2D em 8 bits – apelando à memória sentimental de aficionados – Alckmin chamou de fake news.
Repercussão
Neste sábado, o vídeo repercutiu negativamente nas redes sociais. “Monitoram o PIX.Taxam as Blusinhas. Taxam os Games e eletrônicos. Revogam e dizem que é Fake News”, escreveu o vereador de São Paulo, Rubinho Nunes (União Brasil), em um dos comentários no X.
Procurada, a assessoria de comunicação de Alckmin disse que o vídeo “combate uma desinformação”, porque “não haverá aumento de impostos sobre aqueles produtos citados”. A reportagem da Gazeta do Povo questionou sobre o anúncio anterior e o recuo, mas a assessoria insistiu na mesma resposta.
Governo nega recuo
Também na manhã de sábado, o governo Lula publicou uma série de mensagens no X em que procura dizer que não houve recuo na taxação. Segundo as postagens, era “imprecisa ou simplesmente falsa” a notícias de que celular, notebook, memória RAM e outros produtos eletrônicos ficariam “mais caros”.
Segundo o governo, “o Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) reverteu os aumentos de GPU, placa-mãe de vídeo e processador”. Mas que isso “já estava previsto”, afinal, produtos sem fabricação nacional equivalente não podiam ser taxados.
“Com três únicas exceções, não houve reversão do aumento de alíquotas de importação sobre produtos eletrônicos. O que houve foi a manutenção de uma isenção que já existia e, em alguns casos, a concessão de isenção total para produtos que tinham isenção parcial”, escreveu o governo, sem especificar que produtos seriam.








