Depois de passar por uma reestruturação, que incluiu a venda e encerramento de algumas operações no Brasil, Chile e Estados Unidos, a chilena Masisa, maior fabricante de painéis de madeira da América Latina, pretende investir US$ 95,8 milhões em 2009, boa parte dos quais no Brasil. A empresa tem uma fábrica em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, e está erguendo outra na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul. "Metade desses recursos irão para a conclusão da fábrica nova e a outra metade para investimentos na área florestal", explica Jorge Hillmann, diretor geral da Masisa no Brasil.
No último ano, a multinacional controlada pelo GrupoNueva passou por uma transformação que incluiu a redefinição de foco de atuação ela passou a se concentrar na produção de painéis de madeira para o setor moveleiro e reestruturação financeira, que abrangeu fechamento de fábricas e a demissão de 1,5 mil pessoas. Nesse processo, fechou duas fábricas de molduras, uma nos Estados Unidos e outra no Chile, e vendeu duas operações no Brasil.
No país, a Masisa negociou 75% da fábrica de painéis para construção civil do tipo OSB (Oriented Strand Board), localizada em Ponta Grossa, para outra gigante do setor, a norte-americana Louisiana Pacific. Mais recentemente, vendeu a linha de madeira serrada em Rio Negrinho (SC), que foi adquirida pela Renova Florestal Ltda., empresa brasileira ligada ao fundo de origem norte-americana Global Forest Partners. "Foi uma redefinição de foco da empresa, em função também da retração do mercado norte-americano, que absorvia boa parte da produção dessas linhas", diz o executivo.
A venda das duas operações no Brasil garantiu à matriz um caixa de US$ 125 milhões, o que deve ajudar a sustentar o projeto de expansão no país. A fábrica de Ponta Grossa emprega 235 pessoas e produz hoje cerca de 270 mil metros cúbicos de painéis de MDF (Medium Density Fiberboard) por ano, muito perto de sua capacidade total. A unidade de Montenegro, que ficará pronta em junho de 2009, terá capacidade para 750 mil metros cúbicos de MDP (Médium Density Particleboard) e tem boa parte da infraestrutura preparada para sua duplicação no futuro. Com as duas fábricas, a Masisa passa a deter 15% da capacidade de produção do setor no país.



