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Aprenda a tirar o seu blog do anonimato

Blogueiros profissionais mostram que, aliando técnica e malícia, é possível tornar seu diário pessoal conhecido nos quatro cantos do país

Raphael Mendes, o “bobagento”: uso correto de ferramentas e conteúdo alinhado com a expectativa do público fizeram o número de acessos saltar de 5 mil para 60 mil por dia | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Raphael Mendes, o “bobagento”: uso correto de ferramentas e conteúdo alinhado com a expectativa do público fizeram o número de acessos saltar de 5 mil para 60 mil por dia (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)

No último dia 25 de junho, o estudante Rafael Slonik entrava numa sala de cinema quando ouviu alguém comentar que Michael Jackson havia morrido. Na mesma hora, pegou o telefone e ligou para o servidor de internet onde estava hospedado seu blog e avisou: "Dá um jeito de segurar a página no ar, porque vai ter tanto acesso que pode até cair".

Não deu outra: só naquele dia, ele recebeu incríveis 87 mil visitas no endereço novo-mundo.org. Durante mais de uma semana, o blog aparecia em primeiro lugar nos resultados do Google quando o assunto pesquisado era a morte do rei do pop. O curioso é que Slonik não é nem nunca foi fã de Michael Jackson. O novo-mundo não era um blog sobre o cantor, nem tampouco tinha informações sobre o que tinha acabado de ocorrer em Los An­­geles. A única referência era uma nota de humor, publicada quase um ano antes, em que ironizava a morte do cantor.

Dessa história aprendem-se duas lições: a primeira é que nem tudo o que o Google apresenta é o que estamos buscando – mas isso já não é novidade. A segunda – e Slonik sabia disso – é que é possível tirar vantagem desse fato e, com um tanto de técnica e mais um tanto de malícia, fazer com que seu "diário virtual" transcenda o círculo de amigos e seja conhecido mundo afora. Mo­­tivos pra isso não faltam – vão da satisfação pessoal à conta bancária, que pode engordar na me­­dida em que crescem os acessos na página. "Os blogs me mantêm. Eu não penso em ter um em­­prego fixo porque a renda que eu tenho é muito boa, e ainda pode melhorar", conta Slonik.

A receita para que um blog se­­ja conhecido, acessado, co­­men­­tado, "linkado" e divulgado aos qua­­tro ventos leva um in­­gredien­te fundamental, chamado de Sear­­ch Engine Opti­miza­tion (SEO, ou Otimização do Meca­nismo de Busca). O conceito não é dos mais complicados: o blogueiro tem de trabalhar para que os robôs dos sistemas de busca, como o Google, o encontrem na web quando uma pessoa procura por determinado assunto. Mas a execução disso dá trabalho – tanto que pipocam no mun­­do real e virtual empresas e profissionais especializados no assunto.

"As pessoas costumam achar que é fácil, mas dá muito trabalho. E é um trabalho muito mais estratégico do que operacional. Não basta só seguir a re­­ceita do bolo", diz Guilherme Na­­güeva (http://nagueva.com), profissional de SEO e Social Media da agência curitibana Midiaweb.

A parte operacional, ensina ele, passa pelo uso do Google Insights for Search (www.google.com/insights/search/). A ferramenta mostra quais os termos mais buscados no Google sobre determinado assunto. Por exem­­plo: na última sexta-feira, o mecanismo apontava que, neste ano, o termo mais buscado para o assunto "cerveja" em todo o Brasil foi "levedo de cerveja", seguido por "levedo cerveja". Inserir estas palavras no meio dos textos pode ajudar o Google a encontrar um blogueiro que escreva sobre bebidas, por exemplo.

Além disso, por meio das ferramentas para webmasters do Google (www.google.com/webmasters/tools/) é possível mostrar ao mecanismo de busca que seu blog existe e avisar o mecanismo toda vez que ele é atualizado.

"Mas, com o tempo, vamos vendo que o que realmente conta é conteúdo. O negócio é procurar uma tendência e escrever a respeito, estar antenado e ter uma sequência boa de atualizações. Se você escreve sobre sertanejo, por exemplo, é bom saber que tem o Festival de Barretos no mês que vem. Escrever sobre isso vai te ajudar a cair no Google, porque a demanda pelo assunto vai aumentar", diz Nagüeva. "Fun­ciona de humor a remédios, desde que você tenha conteúdo."

Foi com esse espírito que Na­­güeva ajudou, na maior camaradagem, o amigo Raphael Mendes a "turbinar" o seu blog, o Bobagen­­to (www.bobagento.com). Há um ano e meio, o endereço contava com 5 mil acessos por dia. Hoje, eles passam de 60 mil. "Não é muito complicado, é só seguir os passos básicos", diz Raphael Mendes. Com piadas sobre absolutamente tudo o que é sério e não-sério, o Bobagento aparece nos primeiros lugares nas buscas do Google para uma série de termos. E o que era brincadeira virou profissão. "Eu vivo disso há um ano e meio", conta Mendes.

Site bem linkado é mais acessado

Saber usar bem as ferramentas tecnológicas disponíveis é fundamental para tornar um blog ou site mais conhecido e acessado. Mas não é tudo. Fazer com que o link para aquele endereço seja disseminado na rede levará o robô do Google a "confiar" ca­­da vez mais no site, e a listá-lo entre os primeiros resultados quando determinado assunto é procurado. Para isso, diz o profissional de SEO Guilherme Na­­güeva, é preciso algo muito pessoal. "Tem uma malícia ali no meio nem todo mundo tem. O ca­­ra tem que estar predestinado para ser blogueiro", avalia.

Para ser "linkado" por aí, é possível fazer parcerias, propor uma "troca de favores" com outro blogueiro ou simplesmente esperar que o seu endereço comece a ser citado na rede. "O mais legal é quando é natural, quando você vê que um texto seu fez tanto sucesso que as pessoas estão usando para construir ou­­tro texto e colocar o link do seu lá", diz o publicitário Bruno Men­­­donça, autor do "Deus salve a rainha" (www.salvearainha.com), em linha com o amigo Nagüeva: "O trabalho para ser bem visitado é ter um conteúdo bacana e um público, um nicho certo, para puxar as pessoas para esse nicho".

Redes sociais

Nesse trabalho de espalhar o en­­dereço, vale abusar das redes so­­ciais, como Orkut e Facebook, e serviços de microblog, como o Twitter. "O que me faz ter mais leitores é divulgar bastante no Twitter o que eu escrevo e conseguir a repercussão pelas pessoas que me leram no Twit­ter. A disseminação via outras ferramentas é bem bacana", diz Men­donça.

"O legal é a velocidade com que você consegue fazer isso. Se você for rápido, você escreve, di­­vulga no Twitter e automaticamente as pessoas também divulgam", diz Nagüeva. (FL)

Colaborou Luis Celso Jr.

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