Buenos Aires e Caracas - O governo argentino indicou que poderá empreender a reestatização no setor de telefonia caso perca a batalha jurídica que vem travando com a Telecom Italia. A empresa resiste a abrir mão de seus ativos no país, determinação feita pela Casa Rosada, com base em parecer da Comissão de Defesa da Concorrência, que assinala "posição dominante" da companhia no mercado argentino.
O ministro do Planejamento, Julio de Vido, afirmou ontem que, a persistirem "as artimanhas jurídicas" e numa eventual derrota da Casa Rosada, o governo encaminhará ao Congresso projeto para revogar a concessão de serviços da empresa italiana.
De Vido disse que "não faltará pulso" ao governo para defender o país e os consumidores dos "monopólios" e lembrou que a garantia da concorrência foi uma das exigências no processo de privatização empreendido sob a Presidência de Carlos Menem (1989-1999).
Chávez
Na Venezuela, por sua vez, um dia depois de desapropriar a cadeia de supermercados Éxito, de capital colombiano e francês, o governo ameaçou fazer novas expropriações por "especulação de preços". E uma rede de supermercados, também de origem colombiana, parece ser o próximo alvo.
"Não estão descartadas novas expropriações porque temos que defender o povo. Não podemos continuar permitindo que um grupo de empresários engane o povo", afirmou o ministro do Comércio, Eduardo Samán. Segundo ele, o fechamento temporário das lojas não se mostrou "efetivo", porque o comércio é multado, mas volta a subir os preços.
Ele afirmou que a rede Cada, de capital colombiano, "se comporta pior que a Éxito, porque não só remarca os preços como também especula com os alimentos de primeira necessidade e restringe a oferta para criar uma sensação de desabastecimento".
No domingo, o governo Hugo Chávez desapropriou, por "reincidência na especulação de preços", a rede Éxito, que tem capital colombiano e também participação do grupo francês Casino (que é acionista do Pão de Açúcar).



