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Energia

Argentina ficará sem gás e petróleo em poucos anos

Buenos Aires (AE) – A Argentina, país que há 15 anos não importava petróleo, em breve poderá ter de recorrer a compras no exterior desse produto. Isso é o que indica um levantamento realizado pelo jornal "La Nación", que afirma que o país tem reservas de hidrocarbonetos para apenas nove anos. O cenário é dantesco, já que daqui a dois ou três anos a Argentina voltaria a importar gás e petróleo, deixando de ser auto-suficiente. Segundo o jornal, esse é o resultado de uma série de políticas "erradas".

Entre esse erros, afirma o "La Nación", as empresas de gás e petróleo, nos anos 90, durante o governo do ex-presidente Carlos Menem, dedicaram-se a extrair intensamente os produtos de áreas tradicionais, exaurindo as jazidas, sem pensar em investimentos de riscos na exploração de outras zonas. Durante essa década, a produção atingiu recordes históricos.

Depois, sustenta que há uma segunda etapa de erros, protagonizada pela quebra de contratos, a partir de 2002, quando o então governo do ex-presidente Eduardo Duhalde acabou com a conversibilidade econômica e desvalorizou a moeda. Além disso, Duhalde congelou as tarifas dos serviços públicos privatizados, entre eles o abastecimento de gás, política que foi mantida com rigor por seu sucessor, o presidente Néstor Kirchner. Para agravar o cenário para as empresas, tanto Duhalde como Kirchner implementaram um pesado sistema de retenções sobre as exportações de petróleo.

O "La Nación" ilustra com números a falta de esmero das empresas no setor a partir de 2002. Segundo o jornal, enquanto que em 1995 as empresas perfuraram 164 poços de exploração, em 2004 o número foi de apenas 29. A produção de petróleo despencou 30% na Argentina desde 1999. A produção de gás, no ano passado, caiu 1 4%.

A falta de gás e petróleo necessário para atender a recuperação da economia argentina – e de forma simultânea, cumprir os contratos de exportação desses produtos – colocou o governo Kirchner em problemas desde 2004, quando, para evitar deixar o mercado interno desabastecido, teve que suspender as exportações de gás para o Chile, país que era, na época, altamente dependente desse produto proveniente da Argentina.

Para complicar, a Repsol YPF, a maior empresa do setor no país, que controla quase a metade das jazidas de hidrocarbonetos argentinas, anunciou a meados de janeiro que, ao revisar os números das reservas que explora em todo o mundo, percebeu que na Argentina possui 20% a menos daquilo que imaginava. Ricardo De Dicco, pesquisador do setor de energia, faz um grave alerta: "o petróleo e o gás satisfazem 90% das necessidades energéticas da Argentina".

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