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protecionismo

Argentina vai impor maior controle sobre novas importações

O governo da presidente Cris­­­­tina Kirchner aplicará mais controles sobre os im­­portadores argentinos a partir do dia 1.º de fevereiro. Nes­sa data entra em vigor a resolução 3252 da Admi­nistração Federal de Ingressos Públicos (Afip, a Receita Federal argentina), que determina que todas as empresas que desejem im­­portar produtos do exterior deverão apresentar – de forma prévia – um relatório de­­talhado ao organismo de arrecadação tributária e outros organismos do governo. Por trás desta medida estaria o objetivo – a qualquer preço – do governo da presidente Cristina Kirchner de manter um superávit comercial com o mundo de pelo menos US$ 10 bilhões em 2012.

Os analistas em Buenos Aires sustentavam que a medida cria um cenário no qual produto algum poderá ser importado sem a aprovação prévia da secretária de Comércio Exterior, Beatriz Paglieri. Ela está na órbita de influência de Guillermo Moreno, Secretário de Co­­mércio Interior, autor de diversas medidas que barraram produtos importados na alfândega argentina nos últimos anos.

A partir de 1.º de fevereiro, os empresários que desejem importar deverão enviar um e-mail à secretaria de Moreno, para que esta decida se autorizará a compra no exterior ou não. Em 2010 e 2011, Moreno emitiu ordens verbais em diversas ocasiões para atrasar a entrada de produtos importados, inclusive do Brasil.

A Afip é comandada por Martín Etchegaray, considerado um dos integrantes da ala "dura" do governo Kir­chner. Etchegaray, homem de confiança da presidente, aplicou nos últimos meses, em sintonia com o secretário Moreno, uma série de medidas para complicar a entrada de produtos importados, entre eles controles oficiais sobre o mercado de câmbio que limitaram as operações de compra e venda de dólares. Desde novembro os importadores precisam apresentar, de forma prévia ao pedido de importação, toda a documentação bancária envolvida na transação, para ser analisada pela Afip.

Repercussão

Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, In­­dústria e Comércio (MDIC), o governo Dilma Rousseff recebeu "com preocupação" a decisão de Buenos Aires. Brasília pretende dialogar com a equipe de Cristina Kirchner "para evitar eventuais efeitos negativos para o fluxo comercial entre os dois países". Segundo a nota, o MDIC "estabeleceu contato com o governo argentino para melhor avaliar os possíveis impactos decorrentes para os exportadores brasileiros desses produtos". Pro­cu­rado, o Itamaraty não se pronunciou.

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