O grupo Seas, composto pelos armadores CMA/ CGM, China Shiping e Mitsui, que operam a linha Ásia-Paraná, informou aos seus representantes em Paranaguá que irá cancelar todas as escalas no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) a partir deste mês. O motivo, expresso no comunicado, seria a falta do sistema de janelas de atracação, que permite que os armadores agendem as escalas no porto. Com o fim da operação da linha, o TCP vai deixar de receber 4 navios por mês, ou R$ 320 mil mensais em receita direta (taxas e impostos), segundo agentes marítimos. O joint-service termo que identifica a associação de armadores, como no caso do Seas afirmou também, por meio do comunicado, que pretende voltar a operar em Paranaguá assim que a reivindicação pelo sistema, em estudo pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), seja atendida.
O sistema de janelas, ou "fixed day", é usado pela maioria dos portos no mundo em terminais de contêineres. O sistema já está em uso nos portos de Santos, São Francisco do Sul e Itajaí, destino da maioria dos navios que tentam atracar em Paranaguá mas não conseguem devido à fila de navios. Em Paranaguá, ele ainda não foi adotado porque a administração portuária defende que as janelas privilegiam os grandes armadores internacionais. "O TCP, concessão privada, tem dois berços para atracação de contêineres, que hoje trabalham com 70% de ocupação. Pelo aumento da demanda nos últimos anos, não temos condições de deixar um berço vazio esperando a chegada de um determinado navio", explica o gerente de planejamento da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza.
O gerente comercial do TCP, Marcelo Marder, admite que o terminal tem perdido escalas de navios em função da não adoção do sistema de janelas. Mas esclarece que este não é o único motivo dos cancelamentos de escalas. "Há outros fatores, alheios à administração, como clima, greve de trabalhadores no Porto de Santos e até o aumento da demanda, que ocasionaram o aumento do número de cancelamentos de escalas no TCP", diz.
Segundo o gerente do TCP, a movimentação de cargas cresceu 25% este ano no terminal em relação ao mesmo período do ano passado. A movimentação de contêineres no mundo cresce, em média, 15% ao ano.
Desdobramentos
Os representantes dos armadores do joint Seas no Paraná estão tentando, desde a semana passada, encontrar uma solução junto ao TCP e à Appa para evitar o cancelamento da linha Ásia-Paraná. "Esperamos reverter a decisão do joint e continuar operando em Paranaguá", diz Eduardo Ribeiro, gerente da filial da CMA/CGM. Ribeiro confirma que o armador está enfrentando problemas em Paranaguá, perdendo tempo nas escalas, o que prejudica toda a linha, que acaba perdendo as paradas programadas em outros portos. "Paranaguá é o porto mais congestionado e que tem o maior atraso na região", completa.
Pelos problemas enfrentados em Paranaguá, a CMA/CGM estuda investimentos em terminais em Santa Catarina.
O mesmo caminho já foi seguido por outros armadores, como a Hamburg Süd, maior grupo na operação de contêineres na América do Sul, que está construindo um terminal em Itapoá em parceria com o grupo Tecon Santa Catarina. Segundo o gerente para Paraná e Santa Catarina da Hamburg Süd, Wilson Roque, o armador teve de cancelar 30 escalas, sendo 14 delas na linha Europa, em Paranaguá nos útlimos três meses. Com os cancelamentos, Paranaguá deixou de receber R$ 2,4 milhões em taxas e impostos (R$ 80 mil por navio segundo agentes marítimos).
Apesar dos cancelamentos, a Hamburg Süd informou que vai manter as escalas da linha Europa em Paranaguá. Para o representante do armador, a causa maior do congestionamento é a não implementação do sistema de janelas de atracação, "ainda que existam outros motivos, como falta de dragagem no canal e balizamento deficiente", diz.



