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Trabalho

Até 20% das domésticas têm ensino médio

Escolaridade aumentou, mas carga horária da categoria chega a 54 horas semanais

Apesar do predomínio de trabalhadoras menos escolarizadas entre as empregadas domésticas, a participação daquelas com ensino médio completo ou superior incompleto fica entre 15% e 20% nas principais regiões metropolitanas do país. Os números, referentes ao ano passado, são parte de uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade divulgada ontem sobre as características do trabalho doméstico remunerado.

Apesar de apontar a melhora do nível de escolaridade da população (no início da década de 1990 o porcentual de domésticas que haviam cursado o ensino médio não ultrapassava os 10%), o estudo indica que a jornada de trabalho das empregadas domésticas com carteira assinada no país atingiu até 54 horas semanais em 2009.

Apesar da jornada excessiva, o estudo indica que as condições de trabalho melhoraram. Segundo o Dieese, as jornadas mais extensas são cumpridas pelas domésticas do Nordeste. Em Recife, as mensalistas com carteira assinada trabalham em média 54 horas por semana. As menores cargas horárias foram registradas em São Paulo e em Porto Alegre (Curitiba não foi incluída no levantamento do Dieese), onde as empregadas domésticas cumprem em média 41 horas semanais.

Patrícia Costa, economista do Dieese, afirma que trabalhadoras que dormem no local de trabalho costumam ter jornada de trabalho mais extensa, mas que mesmo as demais cumprem longas jornadas. "Existe informalidade na relação com a família. Como é uma atividade que se exerce dentro de casa, é difícil estabelecer o limite."

Segundo o Dieese, o serviço doméstico é a atividade que oferece a pior remuneração no país. A trabalhadora recebe, em média metade do valor pago às funcionárias do setor de serviços. O pior resultado foi registrado em Fortaleza, onde se pagou, em média, R$ 1,72 por hora de trabalho em 2009. A economista do Dieese afirma que o mercado de trabalho se formalizou nos últimos anos, o que tem ajudado a melhorar as condições da profissão.

Mulheres

A pesquisa também destaca que o crescimento econômico dos últimos anos tem modificado as oportunidades de trabalho para as mulheres. Patrícia Costa, do Dieese, diz que, a mudança no mercado de trabalho e o avanço da escolaridade na população fizeram com que o serviço doméstico deixasse de ser a porta de entrada no mercado para as mulheres jovens que vivem nas regiões metropolitanas. De acordo com a pesquisa, mais de 77% das mulheres que exercem a atividade têm de 25 a 49 anos.

Os efeitos da crise econômica internacional afetaram mais os homens que as mulheres no mercado de trabalho brasileiro em 2009, mas as desigualdades históricas de renda persistem. Enquanto a taxa de desemprego feminino em São Paulo caiu pelo sexto ano consecutivo em 2009, para 16,2%, o rendimento médio real das mulheres continua a equivaler a 79,8% do que ganham os homens.

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