Robert Kiyosaki tem uma dura tarefa pela frente. Nove anos depois do lançamento do seu bestseller "Pai Rico, Pai Pobre" (Campus Elsevier), e no meio de uma crise financeira, ele tenta convencer as pessoas a desistirem de seus salários e correrem riscos, para que possam ser ricas de verdade.
"Você tem que fazer uma troca. Segurança é bom, a maioria das pessoas precisa disso, mas eu prefiro ter liberdade", opina o escritor, em sua primeira visita ao Brasil. Neste sábado (19), ele participa da Bienal do Livro, no Rio. "Tenho a liberdade de ganhar quanto dinheiro eu quiser, eu não me preocupo com a economia, eu fico mais rico todo ano que passa e eu posso fazer o que quiser, quando quiser".
Pode parecer contraditório que ele advogue desistir de uma renda polpuda todo mês para ser rico. Mas ele explica: "Meu pai era doutor, tinha um salário alto e trabalhava para o governo, e minha mãe era enfermeira. Nós tínhamos dinheiro, mas no final de todo mês nós não tínhamos nada. Quando eu era criança, eu falava, nós somos pobres, e eles diziam: Não, não, nós temos muito dinheiro. Mas a gente era pobre mesmo."
Acumulando ativos
Para o escritor, quem quer ser rico de verdade precisa acumular ativos. Um ativo, na definição dele, é "algo que põe dinheiro no seu bolso quer você trabalhe, quer não". "Todo ano eu compro mais ativos. Eu tenho sete poços de petróleo. Quando o petróleo estava a US$ 100 o barril, eu ganhava muito dinheiro. Hoje, com o barril a US$ 70, eu ainda ganho dinheiro."
Ele diz que as pessoas que perderam dinheiro e bens na crise financeira deveriam ter lido meu livro. "Nos EUA, muitas pessoas parecem ricas, têm casas grandes, duas Mercedes, uma BMW, e agora puf, tudo se foi. Por que elas perderam seus empregos, perderam seus negócios. Elas não têm nenhum fluxo de caixa entrando, elas perderam suas pensões, suas casas perderam valor. É triste, por um lado, mas por outro, elas deveriam ter lido meu livro."
Empreendedorismo
Kiyosaki acredita que o melhor jeito de ter sair do que ele chama da "corrida dos ratos", o ciclo de trabalhar duro, gastar todo o dinheiro e continuar na mesma, é pelo empreendedorismo.
"A razão porque a maioria das pessoas está em dificuldades é que elas não pensam grande o suficiente. Se você tiver uma pequena empresa, ou ser autônomo como um médico, que ainda tem que fazer o trabalho, ou uma pequena loja, em que você tem que fazer o trabalho, você nunca ficará rico", opina ele.
A principal explicação de Kiyosaki para porque é melhor ser dono de seus próprios negócios é que os governos taxam mais quem trabalha do que quem produz. "Governos dão incentivos fiscais a quem, como eu, cria empregos, provê moradia. Esse é o meu jeito de fazer, eu vejo o mundo como um empreendedor, a maioria das pessoas vê o mundo como um funcionário ou um autônomo", opina ele.
E ele aproveita para bater na sua outra tecla favorita: a educação financeira. Para quem diz que é difícil cuidar de seus próprios negócios e correr riscos, ele diz: "É um estado de mente e uma educação diferente, mas pode ser feito. O problema é que nossas escolas não ensinam isso."



