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Crise do Banco Master

Avião que levou Toffoli à final da Libertadores também foi usado para viagem ao resort no PR

Dias Toffoli
O ministro do STF Dias Toffoli está diretamente envolvido nas controvérsias do Banco Master. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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A aeronave que levou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à final da Copa Libertadores da América de 2025 em Lima, no Peru, também foi utilizada em viagens que coincidem com períodos em que seguranças do Judiciário estiveram no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento que já teve parentes do magistrado como sócios. Registros de voos e dados oficiais de pagamento de diárias indicam uma repetição de datas e rotas que ligam Brasília a Ourinhos, cidade mais próxima com aeroporto, e à região do resort de luxo.

De acordo com dados analisados e publicados pelo jornal O Globo nesta sexta (23), a aeronave pertence a uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore e realizou voos entre Ourinhos e Brasília nos meses de março e agosto. A cidade está localizada a apenas 40 quilômetros do resort Tayayá.

Nas mesmas datas desses deslocamentos, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, de São Paulo, autorizou o pagamento de diárias para seguranças que acompanharam um ministro do STF em Ribeirão Claro, segundo uma apuração publicada na véspera. Os registros oficiais indicam que agentes de segurança estiveram na cidade em períodos que coincidem com os voos da aeronave ligada a Pastore.

A Gazeta do Povo procurou o gabinete de Toffoli no STF para comentar essa nova apuração e aguarda retorno.

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À reportagem, na quinta (22), o STF afirmou que a atuação da segurança institucional tem como objetivo “garantir a autonomia e a imparcialidade dos ministros, atuando nos termos da legislação vigente”. O tribunal acrescentou que os magistrados “são alvos recorrentes de ameaças, materializadas por e-mails, publicações em redes sociais, tentativas de invasão das dependências do Tribunal e outras ações criminosas”.

Dados oficiais apurados pel’O Globo apontam que, desde 2022, seguranças do Judiciário permaneceram em Ribeirão Claro por pelo menos 128 dias, com despesas custeadas por órgãos públicos. O cruzamento das informações mais recentes mostra que, em 7 de março de 2025, às 11h30, o avião saiu de Ourinhos com destino a Brasília, enquanto registros de diárias indicam a presença de seguranças em Ribeirão Claro entre 2 e 6 de março. Em 1º de agosto, a aeronave fez o trajeto inverso, partindo de Brasília para Ourinhos, coincidindo com diárias pagas para agentes entre 1º e 4 de agosto.

Em dezembro, veio a público a informação de que Toffoli estava entre os passageiros da aeronave de Pastore em um voo para Lima, no Peru, onde ocorreu a final da Libertadores. Na mesma viagem, também estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, um dos investigados no caso do Banco Master.

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Nesta quinta (22), um vídeo divulgado pelo Metrópoles mostrou Toffoli recebendo Pastore e o banqueiro André Esteves no resort Tayayá. Pastore é um empresário paulista radicado no Espírito Santo, com atuação nos setores de importação, indústria e administração de imóveis, e não se manifestou sobre o caso até a publicação da apuração.

Apurações recentes apontam que familiares de Toffoli foram sócios do Tayayá com a participação de um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel. Ele teria participado de uma rede de fundos administrados pela gestora Reag, investigada por fraudes relacionadas ao banco no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e acabou liquidada pelo Banco Central na semana passada.

A gestora também é apontada como operadora de fundos de investimentos abastecidos com dinheiro da fraude de combustíveis tocada pelo PCC e descoberta pela Operação Carbono Oculto, no ano passado. De acordo com as apurações, um dos fundos ligados a Zettel adquiriu, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá.

O negócio foi fechado por R$ 6,6 milhões, e a empresa da família do ministro passou a ter o fundo como principal sócio, sendo que um dos irmãos de Toffoli administrava o resort naquele período. Apesar dos registros oficiais, a cunhada do magistrado negou que o marido tenha tido qualquer participação no Tayayá.

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