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Polêmica institucional

Auditores do TCU derrubam tese de negligência do BC no caso Master, diz jornal

TCU descarta neglgência do BC no caso Banco Master
Sede do Banco Master, em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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Um parecer técnico sigiloso da Audbancos, unidade especializada do Tribunal de Contas da União (TCU), desmentiu a tese de negligência do Banco Central (BC) no caso Banco Master e freou uma tentativa sem precedentes de interferência da Corte de Contas na regulação bancária. O documento, obtido pelo jornal Valor , concluiu que a autoridade monetária agiu de forma diligente ao monitorar continuamente a instituição desde o primeiro semestre de 2024 e comunicar indícios de crimes ao Ministério Público Federal antes de decretar a liquidação em novembro de 2025.

A investida do TCU ocorreu em meio a intensa pressão política e lobby financeiro. O ministro relator Jhonatan de Jesus chegou a cogitar uma medida cautelar para suspender a liquidação — o que beneficiaria diretamente os controladores do banco envolvido em fraudes graves, incluindo emissão de títulos falsos apurados pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal. Diante do parecer técnico contrário e da forte reação do mercado, o ministro recuou.

O episódio expõe uma crise institucional mais profunda: a expansão sistemática do TCU sobre competências técnicas de órgãos reguladores, agora alcançando o coração da estabilidade econômica brasileira. Especialistas alertam que a politização de órgãos de controle corrói a segurança jurídica e coloca em risco a credibilidade construída em 60 anos pelo Banco Central.

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Parecer interno afasta negligência e delimita competências do TCU

A análise preliminar conduzida pelos auditores concluiu que não houve inação ou falta de acompanhamento do BC nas fraudes do Banco Master. Segundo os técnicos, a autoridade monetária demonstrou que realizava monitoramento contínuo da instituição desde o primeiro semestre de 2024. A narrativa de omissão perde sustentação diante dos fatos documentados.

O documento detalha que o BC comunicou indícios de crimes ao Ministério Público Federal antes da liquidação. A cronologia apresentada reflete uma atuação diligente e técnica dos supervisores. Os auditores identificaram falta grave de recursos no banco, além de violações às normas legais. A decisão de liquidar a instituição encontrou pleno respaldo jurídico e técnico.

Além de afastar a tese de negligência, os técnicos do TCU foram enfáticos ao delimitar o raio de ação da Corte de Contas. O parecer reitera que o tribunal não possui competência para interferir no mérito do processo de liquidação. A prerrogativa de decretar intervenções em instituições financeiras pertence exclusivamente ao Banco Central, conforme estabelece a Lei 6.024/1974. Qualquer tentativa de reversão desse ato por parte do TCU configuraria invasão de competência com riscos sistêmicos.

A investida contra o BC ocorreu em momento de intensa pressão política e lobby financeiro. O ministro relator chegou a cogitar uma medida cautelar que beneficiaria diretamente os controladores da instituição em crise. A liquidação do Banco Master em novembro de 2025 foi motivada por irregularidades graves. A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar a emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso enquanto tentava deixar o país.

Politização de órgãos técnicos ameaça segurança jurídica

O episódio do Banco Master revela uma crise institucional mais profunda. Há décadas, o TCU vem expandindo suas funções para além do controle de contas públicas. O tribunal passou a atuar como formulador de decisões regulatórias em áreas de infraestrutura, energia e transportes. Agora, essa interferência alcançou o coração da estabilidade econômica: a regulação bancária.

Especialistas alertam que a politização de órgãos técnicos de controle corrói a segurança jurídica. Carlos Ari Sundfeld, professor da FGV-SP, afirma que o comportamento de ministros do TCU muitas vezes assemelha-se ao de políticos, não de técnicos. O modelo institucional brasileiro permite que políticos profissionais ocupem cadeiras em tribunais de contas. Essa estrutura favorece a defesa de interesses particulares em detrimento do bem comum.

A economista Elena Landau classifica a atuação do tribunal como fora de qualquer padrão aceitável. Segundo ela, não há dinheiro público direto envolvido na liquidação que justifique a fiscalização do TCU. A urgência atribuída ao caso pela corte, com convocações em pleno recesso, gerou desconfiança na sociedade civil. O resultado dessa confusão institucional é a redução do apetite por investimentos no Brasil.

A estabilidade regulatória é um pilar essencial para o crescimento econômico e a produtividade. Quando o Legislativo ou o Judiciário avançam sobre competências técnicas, o risco país aumenta. O Banco Central levou 60 anos para construir credibilidade sólida perante os investidores internacionais. Colocar essa reputação em xeque por conveniências políticas é um processo autodestrutivo para a nação.

O caso Master também jogou luz sobre possíveis conflitos de interesse em outras esferas. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou sigilo absoluto em inquéritos relacionados a irregularidades no banco. Um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes alimentou questionamentos. A transparência torna-se uma exigência urgente da sociedade.

Vital do Rêgo tenta apagar incêndio institucional

O presidente do TCU, Vital do Rêgo, tentou pacificar a relação com a autoridade monetária. Ele negou qualquer possibilidade de o tribunal reverter a liquidação decidida pelo BC. Segundo o ministro, a fiscalização deve garantir a lei, mas não comprometer a autonomia operativa. Uma reunião com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi agendada para alinhar um modelo de fiscalização menos invasivo.

A preservação do valor da massa liquidanda e o interesse dos depositantes devem ser a prioridade. Vital do Rêgo destacou que milhares de pessoas e fundos de pensão podem ter sido prejudicados pela má gestão do Master. Contudo, o caminho para o esclarecimento não pode passar pelo atropelo das normas constitucionais. A responsabilidade fiscal e a prudência institucional devem prevalecer sobre o voluntarismo político.

O desenlace desta crise servirá como termômetro para a integridade do sistema financeiro brasileiro. Se o país permitir que órgãos de controle se tornem balcões de negócios ou instrumentos de lobby, a confiança evaporará. O parecer técnico dos auditores do TCU é um contraponto importante. Ele reforça que a ordem e a técnica ainda possuem defensores dentro do Estado.

A liberdade individual e a prosperidade econômica dependem de regras claras e instituições fortes. Mudanças na governança regulatória sem base sólida representam um perigo desnecessário. O Brasil precisa retornar ao caminho da responsabilidade e do respeito aos limites de cada poder. Somente assim será possível garantir a estabilidade necessária para captar recursos e manter o crescimento sustentado.

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