Os bancos centrais das principais economias avançadas do mundo informaram nesta quarta-feira (30) que tomarão medidas coordenadas para impedir a falta de liquidez no sistema financeiro global, enquanto a zona do euro tenta encontrar uma maneira de conter sua crise de dívida.
O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais de Canadá, Grã-Bretanha, Japão e Suíça informaram, em comunicado conjunto, que concordaram em reduzir o custo das linhas existentes de swap de dólar em 0,50 ponto percentual a partir de 5 de dezembro.
A ação visa evitar que os mercados de crédito travem. Os bancos europeus já estão encontrando dificuldades para obter financiamentos de curto prazo, em meio às dúvidas sobre a capacidade da região de lidar com sua crise de dívida.
Outras medidas incluem oferecer acordos bilaterais de swap entre os BCs, para que qualquer banco possa acessar liquidez adicional em suas próprias moedas se necessário. Os acordos de swap valem até 1o de fevereiro de 2013.
O euro saltou após o anúncio da ação coordenada dos BCs, e o principal índice do mercado de ações europeu e as bolsas norte-americanas tinham forte alta.
Num sinal de crescentes problemas no crédito global, o banco central da China reduziu o depósito compulsório para bancos de varejo nesta quarta-feira, no primeiro movimento do tipo em quase três anos. A medida diminui os recursos que os bancos precisam manter em reserva e libera financiamentos para companhias pequenas, que têm tido dificuldades para se financiar.
Há crescentes preocupações de que a economia global esteja perdendo ritmo, conforme a crise de dívida soberana da zona do euro continua contaminando o mercado e os riscos de recessão crescem.
Analistas disseram que a ação dos bancos centrais foi animadora.
"Isso alimenta a ideia de que as autoridades estão pelo menos começando a lidar com o problema", disse o economista-chefe do ING Group, Mark Cliffe.
"Com os cenários ruins dando a tônica nos últimos dias, é mais importante que eles definam medidas agressivas para dar suporte ao sistema bancário e mostrarem que estão começando a confrontar os problemas financeiros das dívidas soberanas também."
Outros profissionais notaram que, embora a ação do banco central seja útil, ainda há necessidade de as autoridades na Europa lidarem com seus problemas centrais, e os mercados provavelmente não vão se aquietar até que isso seja feito.
"(A ação) oferece suporte", disse o presidente da Energy Europe, Marex Spectron, Mark Thomas, em Londres. "(Mas) é difícil prever por quanto tempo."
Nos Estados Unidos, o Fed observou que os bancos não estão tendo dificuldade agora para obter financiamento de curto prazo. Porém, se as condições piorarem, o Fed informou que tem "uma série de ferramentas disponíveis" para usar como suporte e que elas serão utilizadas de acordo com o necessário.
A surpreendente ação coordenada dos BCs tem o objetivo de impedir que os mercados financeiros globais sejam pressionados de forma que leve a escassez de crédito.
"A proposta dessas ações é aliviar restrições nos mercados financeiros e, por meio disso, mitigar os efeitos de tais restrições sobre a oferta de crédito a consumidores e empresas, ajudando, assim, a fomentar a atividade econômica", informaram os BCs.
"O objetivo destas ações é aliviar as tensões nos mercados financeiros e reduzir os efeitos de tais tensões sobre o fornecimento de crédito às famílias e às empresas e ajudar assim a impulsionar a atividade econômica", acrescenta o texto.
Os bancos centrais acertaram que os intercâmbios de divisas contra dólares entre elas (swap) serão realizados a um juros reduzido de 0,50%, e estendidos até fevereiro de 2013.
Este anúncio provocou uma imediata alta das bolsas e do euro.



