
Carnaval fora de hora para uns, temporada de verão para outros. Às vésperas dos primeiros jogos da Copa do Mundo, o segmento de bares em Curitiba iniciou a contratação de mão de obra temporária, compra de equipamentos e serviços de decoração para ampliar competitividade na disputa acirrada pelo cliente. Graças à comoção popular dos jogos, a estimativa de faturamento no segmento cresce 30%. "Todo mundo entra na onda do campeonato. É um verão fora de época para a gente", sintetiza o presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo.
Apenas o consumo de cerveja, por exemplo, duplica no país em mês de Copa do Mundo. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), junho normalmente representa 6% do faturamento anual, mas neste ano responderá por 12%. Como o consumo deve alcançar 600 milhões de litros no período, cada revendedor se arma como pode para atrair (ou fidelizar) a sua clientela.
O empresário Délio Canabrava, do bar Cana Benta, colocou os investimentos na ponta do lápis: novas tevês, camisetas e bandeirinhas personalizadas, mais mesas e cadeiras, além de um time de funcionários temporários, totalizam o custo de R$ 14 mil. Metade dos recursos vai para ampliação da equipe em 25% dez novos empregados vão juntar-se aos 40 da casa. "O que vai fazer a diferença mesmo são os funcionários", diz Canabrava. "Recentemente, apenas na minha rua, abriram três novos bares de esporte. Se eu tenho uma carteira de clientes fidelizados, eu preciso ter investimento para manter o nível de atendimento nestes dias mais corridos. E, com um bom atendimento, ainda consigo fidelizar mais alguns."
A geração mais nova de bares também está se armando para conquistar o seu quinhão. O Clube do Malte, inaugurado em janeiro, ancorou sua estratégia em cardápios climatizados de acordo com o principal jogo do dia e promoções entre 10% e 20% de desconto em uma seleção de cervejas da casa. Além disso, cada gol que sair nos jogos independentemente do time rende uma rodada de chope por conta da casa.
O proprietário Douglas Salvador diz que conseguiu amarrar parcerias com fornecedores especialmente para o mês da Copa, com redução de preços dos insumos, e também ampliou investimentos com pessoal e em ações de marketing. "Tenho certeza que o cliente vai assistir o jogo em algum lugar. O nosso esforço é em trazê-lo para assistir com a gente, em companhia de uma cerveja boa", diz. A casa nasceu para atender o segmento de cerveja premium, que ainda é incipiente na indústria nacional, respondendo por cerca de 2% da fabricação.
O bar Aos Democratas também está com contrato de temporários estimado em 60 pessoas, ampliando o quadro em 15% para atender à nova logística de atendimento do bar, que adiantará o início dos trabalhos para às 11 horas. Os investimentos foram direcionados em publicidade, decoração e estrutura o bar passou a contar com dois telões e 18 monitores de tevê. O sócio Leandro Teixeira diz que a campanha de marketing quer elevar o bar como referência no campeonato, servindo ainda como experiência para a Copa de 2014, que será no Brasil.
Carona
Mesmo o segmento de restaurantes, que não têm o mesmo apelo dos bares, acaba ganhando investimentos em função do campeonato. O empresário Paulo Roberto Canabrava, do restaurante Picanha Brava, se baseia na experiência da Copa de 2006 ao afirmar que o aquecimento não gera o mesmo movimento 30% superior previsto nos bares, mas pode encostar nos 15%. Esse incremento já justifica o investimento: ampliação do horário de atendimento, diversificação do cardápio com produtos típicos da África do Sul e mais pessoas para dar conta da ampliação de serviços. "Um fenômeno que também acontece na Copa é a mobilização emocional: as pessoas estão mais dispostas a colocar a mão no bolso para aproveitar o momento", diz.




