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Negócios

Bares se preparam para a Copa

Empresários investem em promoções, televisores e funcionários temporários para receber clientes durante os jogos

Bar Cana Benta, em Curitiba: R$ 14 mil em investimentos para garantir a presença dos clientes fiéis e conquistar novos frequentadores no período de Copa do Mundo | Fotos: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Bar Cana Benta, em Curitiba: R$ 14 mil em investimentos para garantir a presença dos clientes fiéis e conquistar novos frequentadores no período de Copa do Mundo (Foto: Fotos: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)
Funcionários do bar Ao Democratas, no Centro: quadro será ampliado em 15% durante o mundial de futebol |

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Funcionários do bar Ao Democratas, no Centro: quadro será ampliado em 15% durante o mundial de futebol

Carnaval fora de hora para uns, temporada de verão para outros. Às vésperas dos primeiros jogos da Copa do Mundo, o segmento de bares em Curitiba iniciou a contratação de mão de obra temporária, compra de equipamentos e serviços de decoração para ampliar competitividade na disputa acirrada pelo cliente. Graças à comoção popular dos jogos, a estimativa de faturamento no segmento cresce 30%. "Todo mun­­do entra na onda do campeonato. É um verão fora de época para a gente", sintetiza o presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abra­bar), Fábio Aguayo.

Apenas o consumo de cerveja, por exemplo, duplica no país em mês de Copa do Mundo. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), junho normalmente representa 6% do faturamento anual, mas neste ano responderá por 12%. Como o consumo deve alcançar 600 milhões de litros no período, cada revendedor se arma como pode para atrair (ou fidelizar) a sua clientela.

O empresário Délio Canabra­va, do bar Cana Benta, colocou os investimentos na ponta do lápis: novas tevês, camisetas e bandeirinhas personalizadas, mais mesas e cadeiras, além de um time de funcionários temporários, totalizam o custo de R$ 14 mil. Metade dos re­­cursos vai para ampliação da equipe em 25% – dez novos empregados vão juntar-se aos 40 da casa. "O que vai fazer a diferença mesmo são os funcionários", diz Cana­brava. "Recentemente, apenas na minha rua, abriram três novos bares de esporte. Se eu tenho uma carteira de clientes fidelizados, eu preciso ter investimento para manter o nível de atendimento nestes dias mais corridos. E, com um bom atendimento, ainda consigo fidelizar mais alguns."

A geração mais nova de bares também está se armando para conquistar o seu quinhão. O Clu­be do Malte, inaugurado em janeiro, ancorou sua estratégia em cardápios climatizados de acordo com o principal jogo do dia e promoções entre 10% e 20% de desconto em uma seleção de cervejas da casa. Além disso, cada gol que sair nos jogos – independentemente do time – rende uma rodada de chope por conta da casa.

O proprietário Douglas Sal­vador diz que conseguiu amar­­rar parcerias com fornecedores especialmente para o mês da Copa, com redução de preços dos insumos, e também ampliou investimentos com pessoal e em ações de marketing. "Tenho certeza que o cliente vai assistir o jogo em algum lugar. O nosso esforço é em trazê-lo para assistir com a gente, em companhia de uma cerveja boa", diz. A casa nasceu para atender o segmento de cerveja premium, que ainda é incipiente na indústria nacional, respondendo por cerca de 2% da fabricação.

O bar Aos Democratas também está com contrato de temporários estimado em 60 pessoas, ampliando o quadro em 15% para atender à nova logística de atendimento do bar, que adiantará o início dos trabalhos para às 11 horas. Os investimentos foram direcionados em publicidade, decoração e estrutura – o bar passou a contar com dois telões e 18 monitores de tevê. O sócio Leandro Teixeira diz que a campanha de marketing quer elevar o bar como referência no campeonato, servindo ainda como ex­­periência para a Copa de 2014, que será no Brasil.

Carona

Mesmo o segmento de restaurantes, que não têm o mesmo apelo dos bares, acaba ganhando investimentos em função do campeonato. O empresário Paulo Roberto Canabrava, do restaurante Pi­­ca­­nha Brava, se baseia na experiência da Copa de 2006 ao afirmar que o aquecimento não gera o mesmo movimento 30% superior previsto nos bares, mas pode encostar nos 15%. Esse incremento já justifica o investimento: ampliação do horário de atendimento, diversificação do cardápio com produtos típicos da África do Sul e mais pessoas para dar conta da ampliação de serviços. "Um fenômeno que também acontece na Copa é a ‘mobilização emocional’: as pessoas estão mais dispostas a colocar a mão no bolso para aproveitar o momento", diz.

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