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O Banco Central (BC) avalia interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (10), a integração poderia reduzir tarifas e acelerar remessas e compras internacionais.
A menção ocorre em meio às tensões com os Estados Unidos, que incluíram o Pix entre as práticas comerciais brasileiras questionadas. No relatório que recomendou a sobretaxa de 25% posteriormente aplicada ao Brasil, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que o Banco Central acumula os papéis de regulador do sistema financeiro e de proprietário e operador do Pix. Segundo o órgão, essa estrutura favoreceria o sistema brasileiro em prejuízo de prestadores americanos de serviços de pagamento eletrônico.
A obrigatoriedade de adoção do sistema pelos bancos é um dos pontos discutidos. Os dados ajudam a entender o tamanho do incômodo: o Pix atingiu a marca de R$ 35 trilhões em transações. O montante equivale a aproximadamente US$ 6,3 trilhões na cotação média do dólar em 2025. Se fosse tratado como o PIB de um país, ocuparia a terceira posição mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e da China e cerca de 25% acima da economia alemã.
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Em suas intervenções, dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defenderam utilizar sistemas instantâneos americanos como base para argumentar em prol do Pix. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) menciona o sistema Zelle, controlado por um consórcio de bancos do país, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fala do FedNow, gerenciado pelo Federal Reserve, equivalente ao nosso Banco Central.
O FedNow, porém, possui diferenças relevantes em relação ao Pix. Embora ambos permitam transferências em segundos durante 24 horas por dia, a adesão ao sistema americano é voluntária. Cada banco ou cooperativa de crédito decide se oferecerá o serviço aos clientes. O Federal Reserve também não disponibiliza aplicativo nem contas diretamente à população.
No Brasil, o BC opera e regulamenta a infraestrutura do Pix, incluindo as chaves e as funcionalidades que devem ser oferecidas. A participação também é obrigatória para determinadas instituições. Além disso, o Pix é gratuito para pessoas físicas na maioria das operações, enquanto o FedNow cobra das instituições participantes e permite que elas repassem o encargo aos clientes.
O Zelle é ainda mais distante do modelo brasileiro: trata-se de uma rede privada voltada principalmente a transferências entre clientes de bancos americanos. Tanto o remetente quanto o destinatário precisam possuir contas nos Estados Unidos, o que impede seu uso direto em remessas internacionais.




