No esforço de tentar conter o derretimento da cotação do dólar no Brasil, o Banco Central acelerou a compra da moeda estrangeira em 2010. Nos leilões realizados diariamente, a instituição ficou com US$ 41,4 bilhões no ano passado cerca de US$ 165,6 milhões a cada dia útil. O valor total se aproxima do dobro dos US$ 24,3 bilhões que entraram no Brasil. Ou seja, o BC comprou todos os dólares que ingressaram no país e ainda uma parte da moeda que estava no caixa dos bancos. Ao todo, o valor adquirido foi 72% maior que o registrado em 2009.
Em um ano marcado pela recuperação acelerada da economia brasileira e o interesse crescente de investidores estrangeiros pelo país, o Brasil foi um verdadeiro ímã de dólares. Em 2010, foi recorde a entrada da moeda pela chamada conta financeira, onde são registradas transferências para compra de ações e títulos de renda fixa, investimentos produtivos, empréstimos e remessas de lucros. Essas operações trouxeram US$ 26 bilhões ao mercado.
Boa parte desses recursos ingressou para aplicações financeiras, como na oferta de ações da Petrobras e para compra de títulos de renda fixa, além de investimentos produtivos. Com tantos dólares disponíveis, o preço da moeda norte-americana caiu seguidamente no Brasil. Para evitar que o fenômeno prejudicasse a atividade econômica, o governo comprou dólares nos leilões e aumentou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras.
"Há um movimento claro de tentar evitar uma apreciação muito grande e rápida do real. O governo está claramente preocupado e esse esforço é para tentar tornar o movimento mais brando", diz a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli. No ano passado, o valor das intervenções do BC foi o segundo maior da série, atrás apenas de 2007, quando, antes da crise, as compras retiraram US$ 78,6 bilhões do mercado.
Uma das várias preocupações do governo é que a entrada maciça de dólares derrube ainda mais o preço do dólar no Brasil a ponto de inviabilizar a exportação de alguns setores da economia e, ao mesmo tempo, acelerar a importação de mercadorias. O movimento já começa a ser observado: em 2010, o comércio exterior foi responsável pela saída líquida de US$ 1,65 bilhão do país.



