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CONJUNTURA

BC deve subir juro hoje, e em agosto também

Analistas preveem que Selic terá aumento de 0,25 ponto nesta quarta e também na reunião seguinte do Copom

Fábrica de portas no interior do Paraná: empresários estão preocupados com inflação e alta dos juros | Daniel Castellano Gazeta do Povo
Fábrica de portas no interior do Paraná: empresários estão preocupados com inflação e alta dos juros (Foto: Daniel Castellano Gazeta do Povo)

São Paulo - Além de elevar os juros em 0,25 ponto porcentual, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve repetir hoje a expressão "período suficientemente prolongado" no comunicado divulgado após a reunião, para manter aberta a possibilidade de um novo aumento na reunião de agosto. Atualmente, a Selic, taxa básica de juros do país, está em 12,25% ao ano.

"O BC precisa continuar recuperando sua credibilidade, inclusive para voltar a ancorar as expectativas para o IPCA [índice "oficial" de inflação]. A mensagem que precisa passar aos agentes econômicos é que o combate à inflação será mantido até quando for necessário", disse Juan Jensen, sócio da consultoria Tendências.

José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, espera que o comunicado tenha poucas mudanças em relação ao da última reunião. "Há uma desaceleração lenta da economia doméstica, numa conjuntura marcada por mercado de trabalho muito pressionado e demanda aquecida", explicou.

Na avaliação de Juan Jensen, mais três altas da Selic de 0,25 ponto porcentual são necessárias para tentar o controle da inflação. A Tendências estima que o IPCA deve encerrar em 6,6% neste ano."Seria muito ruim para a presidente Dilma Rousseff e para o presidente do BC, Alexandre Tombini, encerrar o primeiro ano de governo com a inflação acima do teto da meta de 6,5%."

Macroprudenciais

Braulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, espera que o IPCA fique em 6,1% neste ano, marca distante do centro da meta de 4,5%, mas pondera que alguns elementos domésticos e externos podem colaborar para que o aperto de juros não seja ainda maior no decorrer do ano.

Borges avalia que o BC está es­­pe­­rando aferir os impactos das chamadas "medidas macroprudenciais", que buscam conter o avanço do volume de dinheiro em circulação na economia e diminuir, assim, a necessidade de alta de juros. Segundo ele, as medidas macroprudenciais evitaram que o BC precisasse subir a Selic em cerca de dois pontos porcentuais até agora.

Para Borges, o PIB está em plena desaceleração, pois, na margem, subiu 1,3% no primeiro trimestre e deve apresentar uma alta de 0,7 entre abril e junho. "Como pode ser que ocorra um enfraquecimento expressivo do nível de atividade dos EUA e da Europa no curto prazo, isso pode tirar força da economia do Brasil. E a adoção de uma política monetária muito forte nesse contexto internacional tão incerto poderia provocar um desaquecimento muito grande do país."

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