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Política monetária

BC indica que corte nos juros virá no início de 2009

Documento divulgado ontem mostra que a maioria dos integrantes do Copom cogitou baixar a taxa básica, mas não o fizeram por medo de que o dólar pressione a inflação

“O fato de se discutir uma possibilidade não quer dizer que houve decisão. A maioria dos membros do Copom concluiu que agora não seria o momento adequado para reduzir o juro. A ata é consistente e foi muito bem entendida pela maioria das pessoas.”Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, em resposta aos questionamentos do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) | Antonio Cruz/ABr
“O fato de se discutir uma possibilidade não quer dizer que houve decisão. A maioria dos membros do Copom concluiu que agora não seria o momento adequado para reduzir o juro. A ata é consistente e foi muito bem entendida pela maioria das pessoas.”Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, em resposta aos questionamentos do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) (Foto: Antonio Cruz/ABr)

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), revela que, apesar de terem mantido os juros em 13,75% ao ano, seus participantes perceberam que a economia brasileira apresentou fortes sinais de desaceleração no último trimestre. Ainda assim, o Copom entendeu que ainda há riscos de os preços subirem acima da meta inflacionária, de 4,5% em 2009.

O documento mostra que a maioria dos membros do Copom "discutiu a opção de realizar, neste momento, uma redução de 25 pontos base na taxa de juros". Analistas entendem que essa decisão não foi tomada por receio de que o dólar alto pressione demais os preços no mercado interno brasileiro.

Boa parte dos argumentos listados na ata para a manutenção dos juros tem alguma relação com o temor de eventual inflação de curto prazo e que pode ser gerada por fatores ligados ao cenário externo. Para o BC, a falta de crédito na economia pode ampliar os efeitos da taxa de juros mais alta sobre o consumo e, conseqüentemente, sobre a inflação.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, disse que a ata do Copom indicou que o Banco Central não reduziu os juros no encontro realizado na semana passada porque temia os efeitos da depreciação do câmbio. "Com a fraqueza da demanda, queda severa dos preços das commodities e redução expressiva da inflação, não há dúvida de que o BC deverá baixar os juros em janeiro. Resta saber se vai diminuir a Selic em 0,25 ou 0,5 ponto porcentual", afirmou.

Atrás da curva

O economista-chefe da Gradual Investimentos, Guilherme Perfeito, disse que o BC perdeu uma oportunidade importante para começar a reduzir a taxa básica e acabou "atrás da curva". "O mercado percebeu isso e já corrigiu seu preço, expresso nos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2010. A expectativa de inflação, captada pelo relatório Focus, já aponta para uma queda em 2009 para o IPCA. A inflação em 2008, é verdade, subiu de forma considerável por conta do choque de commodities que ocorreu no primeiro semestre e pela demanda aquecida", diz Perfeito.

Para o consultor de política monetária do Banco Itaú, Joel Bogdanski, a principal mensagem da ata foi o reconhecimento de que a demanda enfraqueceu de uma hora para outra. "Na ata de hoje o BC reconheceu a mudança de cenário e já admite que terá de cortar juros em algum momento", diz.

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