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Biocombustíveis

Biodiesel patina com baixo consumo

A falta de demanda imediata para o biodiesel está dificultando a implantação e a consolidação de fábricas desse combustível renovável no Paraná. Só a partir de 2008, a adição do biodiesel ao óleo diesel derivado de petróleo será obrigatória no Brasil, na proporção de 2%. Atualmente, o uso da mistura é facultativo, o que inibe o consumo.

A única biorrefinaria em funcionamento no Paraná, a Biolix, de Rolândia (norte do estado), trabalha com pouco mais de 15% de sua capacidade instalada. Fabrica apenas 5 mil litros diários de biodiesel, quando poderia produzir até 30 mil. "Por falta de demanda, vamos orientar nossa produção para a exportação", anuncia António dos Reis Félix, diretor da empresa.

Pioneiro no país – a Biolix começou a produzir no primeiro semestre de 2004 –, Félix quer ser o primeiro também a exportar o combustível. Ele negocia com a Alemanha, um dos países mais avançados no uso do biodiesel, que permite até 100% desse combustível em qualquer veículo a diesel, até mesmo carros de passeio. "Os europeus estão doidos para importar", diz o empresário, que pretende fechar o primeiro contrato em um mês.

Além de não ser obrigatório, o principal entrave ao consumo de biodiesel é o preço. Para o consumidor, o litro chega a R$ 1,90, acima dos cerca de R$ 1,80 do diesel de petróleo. Na avaliação de Bill Jorge Costa, coordenador do laboratório do Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar), que integra o Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis (Cerbio), o preço só cairá quando houver aumento do consumo.

A baixa demanda também desestimulou o que deverá ser a segunda indústria de biodiesel do Paraná. A empresa Expoglobe planeja investir US$ 6 milhões (cerca de R$ 14 milhões), na construção de uma planta com capacidade de produção de 100 mil litros diários, em Campo Largo (região metropolitana de Curitiba). Apesar de ter sido anunciada em agosto do ano passado, a obra ainda não começou. Manuel Cevallos, diretor da empresa, disse que, enquanto a demanda não aumenta, aguarda a instalação no Brasil de novos fabricantes de equipamentos, o que reduziria o custo do projeto.

A Biolix utiliza diversas matérias-primas: soja, girassol, nabo forrageiro, caroço de algodão, amendoim, pinhão-manso e até gordura de porco. A maior parte desses materiais é comprada na região. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil tem 40 espécies vegetais com potencial para gerar biodiesel. O produto é resultado de uma reação química entre o óleo bruto e o álcool. No Brasil, utiliza-se etanol (extraído da cana-de-açúcar). As características produtivas do país poderão ser um entrave às exportações, já que os europeus e norte-americanos estão acostumados com o biodiesel originado exclusivamente da canola e que utiliza o metanol (álcool derivado do petróleo) como reagente.

Félix aposta na disparada dos preços do petróleo como estímulo ao biodiesel. Ele prevê que o preço do barril, atualmente em US$ 68, atinja os US$ 100 até o fim do ano. "Estou pronto para dobrar e triplicar minha capacidade de produção", avisa o empresário, nascido em Portugal e há 30 anos no Brasil. Félix, que já investiu R$ 5 milhões no projeto, prevê um futuro grandioso para o setor, com o surgimento de "xeques de biocombustíveis", numa alusão aos magnatas árabes do petróleo.

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