
Dois meses depois de a União Européia (UE) ter levantado o embargo à carne bovina paranaense, as exportações ainda não foram retomadas. O número de fazendas brasileiras habilitadas a exportar para os 27 países do bloco aumentou de 106 para 252 neste ano, mas nenhuma é do Paraná. As inclusões mais recentes ocorreram nos últimos dias, com 27 novas propriedades. Na prática, o estado ainda enfrenta o bloqueio imposto depois da ocorrência de aftosa na região, em outubro de 2005.
Os novos negócios, que prometem estimular as vendas de suínos e aves por tabela, dependem de uma série de medidas a serem tomadas por criadores, frigoríficos e governo. A lentidão desse processo também entra em discussão na 31.ª Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial (Efapi) de Ponta Grossa, que começa hoje e segue até dia 15.
"Além de não termos fazendas habilitadas a exportar, há muito pouco gado cadastrado no Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos)", afirma o presidente do sindicato que representa os frigoríficos, o Sindicarne, Péricles Salazar. O primeiro passo para exportar à UE é o cadastro do rebanho no Sisbov, que exige a contração de certificadora pelo pecuarista. O Paraná tem cerca de 190 fazendas cadastradas neste sistema. Mas, menos de 5% do rebanho estadual de 9,5 milhões de cabeças de gado ficam nessas propriedades.
Salazar cobra o cadastramento de novas áreas e o empenho do estado na inclusão de fazendas na lista da UE, que é apresentada às autoridades européias pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ele sustenta que os frigoríficos estão pagando adicional de até R$ 3 por arroba de carne rastreada. Presidente também da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), ele conta que a saída tem sido buscar outros mercados, como o russo, que levantou embargo ao Paraná em dezembro do ano passado.
O ambiente necessário à exportação ainda está sendo criado, informa o chefe da Divisão de Defesa Sanitária do Paraná, Marco Antônio Teixeira Pinto. Ele conta que a certificadora da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), criada em 2002, teve de ser desativada. A determinação do Mapa é que os estados participem como auditores e não como parte a ser auditada. Os veterinários da Seab que vão atuar como auditores estão sendo treinados, conta Teixeira Pinto 29 neste mês e cerca de 40 em outubro.
Depois de criada essa estrutura, será hora de incentivar os criadores a fazer parte do Sisbov. Das 56 certificadores cadastradas junto ao Mapa, 9 atuam no Paraná, concentradas nas regiões Norte e Noroeste.
"Recuperamos o status de área livre da aftosa num momento em que a União Européia estava impondo novas restrições ao Brasil", afirma o secretário estadual da Agricultura, Valter Bianchini. Ele se refere à exigência de que os exportadores se limitem à lista de menos de 300 estabelecimentos. Em sua avaliação, será necessário manter o tema em pauta nas principais feiras agropecuárias do estado para que as exportações paranaenses sejam alavancadas.
Em 2004, antes da aftosa, o Paraná exportou 46 mil toneladas de carne bovina. No ano passado, foram 10 mil toneladas.



