São Paulo A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve uma sessão bastante volátil ontem, mas acabou fechando em alta, com investidores aproveitando para comprar alguns papéis depois do tombo de 3,09% da véspera. O principal indicador da bolsa paulista encerrou com valorização de 0,51%, a 60.406 pontos.
A bolsa brasileira teve um dia instável, por vezes se descolando de sua principal referência externa: as bolsas americanas. Ainda sob a expectativa otimista que o Federal Reserve (banco central dos EUA) volte a cortar os juros básicos, os pregões americanos sustentaram mais um dia de recuperação, ainda que modesta.
Pelo menos dois indicadores econômicos concorreram para manter o bom humor do investidores: a demanda por pedidos de auxílio-desemprego subiu mais do que o esperado; o declínio do nível de encomendas à indústria foi muito pior que o previsto. Para analistas do mercado, números fracos da economia americana funcionam como reforço para as expectativas de um afrouxamento da política monetária.
"O mercado vai depender de como vier o relatório de emprego dos Estados Unidos amanhã [hoje]. Tem muita gente trabalhando com (queda até) 58.500 pontos de correção gráfica para o Ibovespa, o que não é nada de ruim", comentou Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.
Em setembro, o Ibovespa subiu 10,7% em setembro e outros 3% no dia 1.º de outubro, atingindo ganho de mais de 40% no ano. Como se diz no mercado, está bastante "esticado". Por isso, profissionais de corretoras acreditam que uma queda no índice agora pode dar fôlego para que ele retome o movimento de alta até o fim do ano.
Internamente, os papéis da Vale do Rio Doce foram novamente protagonistas do movimento da bolsa. Contando as ações preferenciais (PN) e ordinárias (ON), a Vale foi responsável por 27% do giro total da Bovespa, de R$ 5,3 bilhões. Os vendedores da mineradora tiveram gás mesmo depois da queda de quase 8% de quarta-feira: na sessão de ontem, caíram outros 2,7%, e agora a ação PN da Vale é cotada a R$ 49,12.
"Muito do reajuste de minério de ferro já está embutido no preço. Já não tem tanto charme. Mas se o papel cair para a faixa de R$ 47, R$ 48, acho que vale a pena voltar a comprar; R$ 56 estava exagerado", avaliou Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros. As ordinárias da Vale recuaram 3,16%, para 58,20 reais.
Com as restrições à Vale, os papéis da Petrobras têm se beneficiado. A ação preferencial da petrolífera subiu ontem 0,85%, sendo negociada a R$ 59,20, com giro de negócios da ordem de R$ 600 milhões.
Já os papéis da Natura dispararam 7,21%, para R$ 24,55. "O papel estava muito defasado e agora está recuperando um pouco", comentou Monteiro. As ações da Natura caíram 26% em julho e agosto, com recuperação em setembro depois de especulações de que a Avon estaria interessada em comprar a fabricante brasileira de cosmésticos.
Dólar
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,826 para venda, em declínio de 0,76%, nas últimas operações de ontem. A moeda americana teve um dia relativamente tranquilo, oscilando entre a cotação máxima de R$ 1,842 e a mínima de R$ 1,823. A recuperação moderada da Bolsa de Valores e o fluxo positivo de recursos mantiveram o mercado de câmbio numa tendência predominante de baixa.



