
São Paulo O mercado financeiro teve fôlego para enxergar algum otimismo no "fim do túnel" ontem. Depois de passar o dia todo em queda, nas últimas horas de pregão a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a operar em território positivo. O Ibovespa, seu principal índice, fechou o dia em alta de 0,46%, aos 53.091 pontos. O giro financeiro foi acima da média dos últimos meses: R$ 5,07 bilhões.
No entanto, praticamente todas as bolsas européias caíram ontem, ainda afetadas pelas preocupações quanto à situação do mercado imobiliário nos Estados Unidos. Os índices das bolsas de Nova Iorque, Nasdaq e Dow Jones, também fecharam o dia em alta: 1,44% e 2,18%, respectivamente.
Logo pela manhã, os índices refletiram a notícia de que uma das mais importantes empresas de crédito imobiliário do país, a AHM, entrou com pedido de concordata, às voltas com problemas em sua carteira de créditos "subprime" (de segunda linha). Investidores e analistas temem que as dificuldades no setor de hipotecas americano contamine o restante dessa economia, o que torna as Bolsas dos EUA, e por difusão o restante dos mercados pelo mundo, sensíveis às más notícias do setor.
Segundo operadores, o mercado somente melhorou próximo ao encerramento, quando prevaleceu a percepção de que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, já tem espaço para promover uma redução de juros em sua próxima reunião, marcada para outubro. O colegiado do "Fed" anuncia hoje a nova taxa básica americana analistas firmaram consenso em torno da manutenção em 5,25%.
"Há uma briga entre aqueles que apostam na queda da Bolsa, por causa do problema com os créditos subprime, enquanto outros acreditam que isso não vai ter força suficiente para derrubar os mercados. E a resposta para essa questão não vai aparecer de um dia para outro", afirma Maurício Garcia, profissional da mesa de Bolsa da corretora Theca.
O dólar viu com ceticismo para a melhora das bolsas de valores em Nova Iorque e fechou em leve alta ontem 0,26%, sendo negociado a R$ 1,907 acompanhando a cautela do mercado brasileiro com a forte volatilidade no cenário externo.



