São Paulo O "alívio" do mercado com a injeção maciça de dólares dos bancos centrais não durou muito e investidores optaram por liquidar papéis próximo ao encerramento dos negócios. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou o primeiro dia da semana em queda de 0,39% aos 52.434 pontos. O volume financeiro foi de R$ 3,79 bilhões, na média do giro diário do mês. Na Ásia e na Europa, as principais Bolsas buscaram reverter as perdas da sexta-feira, a exemplo de Tóquio (que fechou em alta de 0,2%) e Londres (2,99%).
O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), o BCE (zona do euro) e o Banco do Japão voltaram a agir para conter o princípio de uma crise de liquidez nesta segunda-feira, dando seqüência à oferta de dólares anunciada na semana passada. No setor privado, o banco americano de investimentos Goldman Sachs injetou US$ 3 bilhões em seu fundo de investimento de risco Global Equity Opportunities (GEO), que foi afetado pela queda das bolsas. O efeito positivo dessa ação coordenada das principais autoridades monetárias do planeta, no entanto, começou a diluir no decorrer do dia.
Investidores ainda têm incertezas sobre as repercussões da crise do mercado de crédito imobiliário americano. "Seguimos recomendando cautela, vendo o cenário de curto prazo ainda indefinido e muito volátil e o de médio e longo prazo como positivo", avalia a equipe de análise da corretora Prosper, numa síntese do pensamento predominante no mercado.
"Ainda existe uma grande incerteza [nos mercados], não está nada definido. Mesmo com essas intervenções [dos bancos centrais], o problema ainda não foi resolvido", afirma o operador Marcos Trabold, da corretora B&T. "O mercado está bem negativo ainda. Ninguém sabe o tamanho das perdas, nem quantos estão envolvidos."
O mercado brasileiro de câmbio acompanhou o "alívio" geral favorecido pela injeção de bilhões de dólares dos principais bancos centrais. O dólar comercial foi negociado a R$ 1,944 para venda nas últimas operações de ontem, com decréscimo de 0,35% sobre a cotação final de sexta-feira.
Estudo
Segundo um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o dólar deveria ter fechado o primeiro semestre com cotação média de R$ 2,34 se levado em conta os fundamentos macroeconômicos nacionais e o desempenho cambial de seus 25 maiores parceiros comerciais e não em R$ 1,96. O estudo diz ainda que há um desalinhamento de 16,3% causado pela atual conjuntura macroeconômica do país. O principal efeito desta sobrevalorização da moeda seria a retração da importância da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) causado pela mudança no planejamento das empresas, que inclui a importação cada vez maior de itens de alto valor agregado.



