
Com crescimento pouco menor que o registrado no ano passado, o Grupo Boticário termina 2014 com aumento de 16% no faturamento total das operações de varejo. As vendas das 3,9 mil lojas em todo o país de suas quatro unidades de negócio O Boticário, Eudora, quem disse, berenice? e The Beaty Box devem atingir R$ 9,3 bilhões. O ritmo menor, no entanto, ainda é superior à média do segmento, que tem alta projetada em 11,8% pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABHIPEC). Em 2013, o Grupo registrou crescimento de 20%.
No balanço de 2014, a empresa contabiliza ainda o encerramento de um ciclo de investimentos na ordem de R$ 650 milhões, iniciado há três anos. Só na nova fábrica em Camaçari, na Bahia, foram aplicados R$ 360 milhões. A unidade tem capacidade para produzir 150 milhões de itens por ano, aumentando em 50% a produção atual, de 345 milhões de itens. O grupo investiu ainda em um novo centro de distribuição, também em território baiano, em operação desde abril, para melhorar a logística e atender os clientes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Nas unidades de negócio, somente O Boticário teve 122 novas lojas em 2014, das 160 que foram abertas no período. A multimarcas The Beauty Box, que oferece 7 mil produtos nacionais e importados, dobrou o número de lojas, passando de 14 para 28.
Para o presidente do Grupo Boticário, Arthur Grynbaum, a empresa está em fase de consolidação da estratégia de diversificação de unidades de negócios, adotada em 2010. E está pronta para atravessar o período de incertezas econômicas previsto para 2015. "O que realizamos até agora vai nos dar suporte necessário para os próximos anos. Vai ser difícil, mas há receitas para superar essa fase: produzir menos do que poderia, fazer mais promoções. Quem já viveu isso antes, sabe que vai passar. O que incomoda o empresário é retroceder", diz Grynbaum.
Mais do que diversificar negócios, o Grupo Boticário imprimiu um ritmo acelerado de lançamento de novas marcas, desde 2011. A ideia era usar a expertise de logística e produção do setor para ocupar espaços no mercado e estabelecer as operações enquanto o cenário econômico era mais favorável. "É difícil manter mais pratos girando ao mesmo tempo, mas foi uma aposta para crescer, ainda que O Boticário sempre demonstrasse excelentes resultados. Assim, conforme o desenvolvimento dos negócios, fomos fazendo os ajustes necessários", diz.
Apesar das chances de erro, arriscar sempre traz ganhos, na opinião do executivo. O aprendizado é o melhor deles, mas é preciso ter habilidade para minimizar os danos. Grynbaum cita o exemplo da Skingen, unidade baseada na produção personalizada de cosméticos. "O modelo não era adequado comercialmente e, diante do leque de iniciativas que tínhamos rodando na época, decidimos fechar. Mas o conhecimento adquirido pela pesquisa, profissionais e maquinário estão sendo utilizados em outras unidades", diz.
Nativa Spa
Durante o ano, o Grupo Boticário fechou metade das operações de varejo da Nativa Spa. A proposta de criar uma nova experiência para o consumidor com a marca para corpo e cabelos foi considerada positiva, mas não relevante o suficiente para sustentar uma unidade de negócio. Os produtos permanecem nas prateleiras das unidades de O Boticário. As três lojas restantes Curitiba, Rio de Janeiro e São José do Rio Preto devem ser fechadas nos próximos meses.



