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Desenvolvimento

Bracatinga passa de lenha a mobiliário

A cidade de Bocaiúva do Sul está investindo na valorização da bracatinga, madeira comum na região metropolitana de Curitiba, que é usada há 70 anos como lenha e estaca para a construção civil. Para ampliar sua utilização e proporcionar mais renda aos produtores, a prefeitura e a Agência de Desenvolvimento da Mesorregião Vale do Ribeira/Guaraqueçaba estão investindo em pesquisa, monitoramento dos plantios e numa incubadora de marcenarias.

Este ano, a prefeitura recebeu uma verba de R$ 580 mil do Ministério da Integração Nacional, que será usada para montar a incubadora. Na cidade, 320 famílias possuem 4 hectares cada de bracatinga. "A incubadora vai valorizar o produtor local e ensinar novas tecnologias e conceitos de gestão", diz o presidente da Rede Paranaense de Incubadoras e Parques Tecnológicos, Silvestre Labiak Jr. Depois da compra de um barracão e de equipamentos, já em processo de licitação, a incubadora será uma escola e também dará orientação a cinco novas marcenarias por ano.

"Queremos transformar a cadeia produtiva da bracatinga, que estava sendo subutilizada, e gerar novos postos de trabalho, mostrando à população que o Vale pode ter vocação industrial", diz José Carlos Becker, diretor da Agência de Desenvolvimento. "É o mesmo processo que ocorreu com o pinus há 20 anos", diz.

Para isso, o primeiro passo foi identificar os problemas da madeira. Conforme o pesquisador Ricardo Klitzke, da Fundação de Pesquisas Florestais da Universidade Federal do Paraná, a principal dificuldade é a demora na secagem. "Mas ela tem boa aparência e resistência", diz. A pesquisa também passa pela melhoria genética, a cargo da Embrapa.

O grupo já alcançou alguns resultados. Uma empresa gaúcha comprou 100 metros cúbicos de bracatinga serrada, para construir protótipos de móveis e experimentar sua viabilidade comercial. Uma palestra realizada no pólo moveleiro de São Bento do Sul (SC) também rendeu vendas. Além de móveis e pisos, a bracatinga pode ser usada em molduras, MDF e aglomerados.

A bracatinga também traz uma resposta ao problema do "apagão florestal". O Paraná tem hoje 3% de seu território com floresta plantada, ou 600 mil hectares. Em 2003, a demanda por madeira ultrapassou esse estoque de madeira plantada. Por isso, o coordenador das indústrias de base florestal ligadas à Federação das Indústrias no Paraná, Roberto Gava, apóia o desenvolvimento da incubadora e o fomento a essa madeira, mas destaca um entrave. "Uma resolução do Conama de 2001 considerou a bracatinga uma espécie nativa e proibiu sua exploração", diz. Segundo ele, uma empresa produtora de briquetes para fornos foi fechada recentemente em União da Vitória.

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